O educador físico Rafael Octaviano de Souza afirma que no contexto esportivo, o trabalho psicológico ainda é deixado à margem. A psicóloga Lívia Fortes que há três anos atua junto ao time do Londrina Esporte Clube, revela muitas vezes atletas e comissão técnica independente da modalidade, não conseguem identificar a importância da psicologia.
"Inicialmente, a visão deles é apenas trabalhar o corpo e a mente, excluindo o emocional", afirma. De acordo com ela, os benefícios envolvem vários aspectos. Além da atividades psicopedagógicas que ajudam a melhorar o aperfeiçoamento da atenção visual e dos reflexos, é possível melhorar a interação entre os atletas, diminuindo a questão da vaidade.
A psicologia também pode levar o atleta ao autoconhecimento, visando a consciência sobre a própria atividade, nível de explosão e estresse. "Dessa forma, quando ele estiver se esforçando além da conta, vai ter a segurança de conversar com o técnico, inclusive diante de problemas pessoais. Podemos fazer um trabalho de percepção sensorial até ele encontrar um nome para esse sentimento, que pode ser medo, angústia, raiva, entre outros", explica.
Outro aspecto é em relação às metas e expectativas. A ideia, segundo Lívia, é trazer o atleta para a realidade, traçando objetivos possíveis. "Uma vez que ele tem isso claro, temos como trabalhar para que ele possa delimitar um espaço de cobrança", conta.
Vale lembrar porém, que a cobrança é natural, pois todo mundo deseja ganhar. O problema é quando isso leva o indivíduo ao sofrimento, quando começa a extrapolar tanto o limite físico quanto invadir os espaços do sono, alimentação ou da ansiedade no dia a dia.
"Existe uma ciência na psicologia que comprova que o fato da pessoa ter esclarecimento e conseguir se organizar internamente, diminui a ansiedade e abaixa o nível de estresse", conclui.
Além de todo esse acompanhamento, é possível dar orientação psicológica ao técnico para que ele possa fazer um acolhimento do sofrimento emocional do atleta. "Com isso, os atletas podem ter uma ajuda pelo ‘olhar e ouvido’ diferenciado que o técnico vai ter sobre a fala ou queixume do mesmo", completa.(M.O.)

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