Mais do que excluir a carne da dieta, o vegetarianismo vai além: soma a busca por uma alimentação saudável e a preocupação com o meio ambiente. Com uma dieta rica em legumes, frutas, verduras, grãos e produtos integrais, o vegetariano sustenta a idéia da não violência e acredita que a paz e o equilíbrio do mundo podem começar com o alimento colocado no seu prato todos os dias. A vegana Maria Laura Garcia Packer, autora do livro ''Vegetarianismo sustentando a vida'', esteve em Londrina durante evento promovido pela Empadaria Verde e concedeu uma entrevista à FOLHA para explicar os benefícios da alimentação natural. Ela também deu algumas dicas às pessoas que têm interesse em dar início a esse novo hábito alimentar.
Ainda confuso para muitas pessoas, o conceito do vegetarianismo conta com algumas correntes que diferenciam uma dieta da outra, porém, nenhuma delas admite qualquer tipo de carne. Maria Laura explica que existem os ovolactovegetarianos - que utilizam de ovo e laticínios na sua dieta e os lactovegetarianos que consomem laticínios; além dos veganos - corrente na qual ela se coloca-, que não consomem nenhum tipo de laticínio, nem os ovos.
Polêmica entre algumas pessoas ligadas à area da área da saúde, principalmente pela exclusão da carne, a dieta vegetariana se concentra no consumo de alimentos como os cereais, sementes, feijões, raízes, legumes, frutas, todas as variações de folhas, germinados e grãos. Maria Laura lembra que é importante a combinação correta no prato para que a pessoa possa absorver melhor as vitaminas, proteínas e outros nutrientes importantes para o organismo.
''A alimentação vegetariana é mais do que uma opção de vida, ela está sendo até uma necessidade para o planeta, pois o que se consome de produtos animais hoje tem se colaborado para o efeito estufa. Sabemos que existe o desmatamento excessivo generalizado no Brasil principalmente para a produção de grãos justamente para alimentar os animais. Se nós reduzíssemos o consumo de produtos animais não teríamos necessidade de tanto plantio de grãos. E se esse plantio de grãos fosse todo conduzido para a alimentação humana nós não teríamos fome no planeta'', enfatiza.
Para a vegana, o vegetarianismo vem colaborando nessa premissa ecológica também por ser uma alimentação totalmente sustentável. Sobre a carne, Maria Laura explica que no reino vegetal é possível encontrar uma grande quantidade de proteínas e compostos de aminoácidos capazes de nutrir a pessoa que não consome o alimento animal. ''Só no gergelim encontramos 16 aminoácidos. O que nos cabe, e não é só para o vegetariano mas para todos, é fazer uma combinação adequada da alimentação. Quem come carne acaba sendo muito negligente na sua alimentação, fica muito carente em vitaminas, em fibras. Além disso, a pessoa que consome muito açúcar precisa tomar cuidado porque ele perturba a fixação do ferro no organismo'', enfatiza.
Variedade
O segredo para uma alimentação natural, rica em nutrientes e capaz de proporcionar saúde adequada ao ser humano, segundo Maria Laura, é procurar variar o prato, além de pensar nas combinações dos alimentos. A autora do livro, que não consome carne há trinta anos, lembra que para se tornar um vegetariano é preciso diminuir o consumo da carne vermelha aos poucos, até eliminar totalmente o alimento da dieta.
''Se a pessoa consome frango de granja, o ideal é retirá-lo imediatamente da dieta. Além do alimento ficar pronto em cerca de 40 dias apenas, as condições que as galinhas são criadas fazem com que elas sofram inúmeras enfermidades e perturbações nervosas, que são levadas também para nosso organismo'', ensina. Os peixes podem ser mantidos por um pouco mais de tempo, preferindo os peixes de água doce por conterem menos metais pesados. ''Há um momento que o próprio organismo diz 'chega' porque entra num outro campo vibracional'', destaca a especialista.
Maria Laura lembra ainda do mal que o excesso de carne pode fazer ao organismo. ''A maioria das pessoas que come carne tem problemas intestinais. O nosso processo de eliminação tem que ser tão eficaz quanto o de nutrição e não é isso que vemos numa alimentação carnívora, o final não acontece direito e o corpo vai ficando muito intoxicado, gerando biotoxinas, contribuindo para enfermidades''. Quanto à carne, Maria Laura conclui dizendo que, a proteína da carne é mais facilmente assimilável no organismo como o próprio ferro, mas a combinação que as pessoas fazem, é muito precária. ''A sustentação do vegetarianismo está no aumento da saúde do corpo por isso é preciso a combinação adequada de cores e sabores. Nosso organimo tem que ter a capacidade de responder às necessidades do dia e ter dinamismo, vontade, flexibilidade e disposição'', finaliza.

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