A dona de casa Maria (noma fictício), 37 anos, descobriu que é portadora do HIV há dois anos e nove meses, tempo de vida que tem a sua terceira filha. Ela descobriu a presença do vírus quando estava grávida e recebeu assistência da Saúde para que a menina não fosse contaminada.
Após o nascimento do bebê, Maria continuou com o uso do coquetel, não amamentou a filha para protegê-la da infecção, com sucesso - a menina não foi infectada. No entanto, a informação sobre os riscos da doença e a confirmação da presença do vírus em seu organismo não foram suficientes para a mulher tomar cuidado na hora de manter outros relacionamentos sexuais.
Hoje, grávida novamente, Maria está precisando passar por todos os procedimentos e cuidados pela segunda vez para que seu quinto filho também não tenha o HIV. ''Quando descobri, achei que fosse morrer. Mas depois me explicaram que é uma doença que a gente trata e consegue viver. Como não sinto nada, parece que não tenho nada. Por isso, nem lembrei de usar camisinha na hora do sexo'', disse à reportagem da FOLHA.
Maria já é mãe de outros três filhos e vive com a pensão do marido que faleceu há alguns anos. Até hoje ela não contou para ninguém de sua família que é contaminada por medo de sofrer preconceito. Despreocupada com os riscos de um sexo desprotegido, Maria lembra ainda que o seu último parceiro também era portador do HIV.
''A gente sabe que é algo sério, mas na hora não pensa muito. Sei que o que fiz foi errado e agora tenho que tomar os remédios por causa do bebê. Vou tomar e me cuidar. Mas é difícil a gente acreditar que tem um vírus tão sério quando não sente nada. Enquanto eu não sinto nada, continuo vivendo normal'', desabafa. (F.B.)

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