Na luta diária, um passo de cada vez
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de maio de 2015
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Uma sensação de que os dedos são pressionados. A mão como um todo ganha o dobro do peso e a simples tarefa de pegar um copo requer grande esforço e manobra. O jeito é pegá-lo cuidadosamente com ambas as mãos. Quem um dia imaginou que essa ação rotineira demandaria tamanha dedicação? Sentir dor nas articulações, em algum episódio, pode ser comum e provavelmente boa parte da população já passou por isso. Porém, sentir dor todos os dias, durante semanas, é um sinal que não se pode ignorar, pois pode ser o corpo dando os primeiros alertas da artrite reumatoide (AR).
E essa "notícia" transforma a vida de uma pessoa. Uma não, mas de dois milhões de brasileiros que são acometidos pela doença. Ao contrário do imaginário popular, a AR não atinge a população mais idosa. Ela pode surgir em qualquer idade, mas em especial nas mulheres por volta dos 40 anos. Para se ter uma ideia, a cada três mulheres, um homem tem a enfermidade.
Apesar de não ser nova - a artrite reumatoide foi citada pela primeira vez em 1800 , é ainda pouco conhecida entre a população. A doença é crônica, ou seja, não tem cura e é progressiva, o que significa que sem o diagnóstico rápido e tratamento adequado, pode evoluir rapidamente e tornar a pessoa incapaz de executar as mais simples tarefas, como pentear o cabelo.
A doença pode começar com poucas articulações inchadas e rigidez inflamatória nas juntas, principalmente pela manhã. A progressão pode causar deformidade articular e desgaste ósseo. Isso sem contar as fortes dores.
O paciente com AR também pode apresentar doenças concomitantes como diabetes tipo 1, Síndrome de Sjögren, vitiligo e pode ter um risco aumentado para alterações cardiovasculares, como enfarte e aterosclerose, além de acometimento ocular e até vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos). Por tudo isso, a doença traz consigo, além do sofrimento físico, uma série de impactos sociais e emocionais.
PESQUISA
A Pfizer realizou uma pesquisa inédita em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife, em parceria com o Instituo Ipsos. Foram entrevistados 200 pacientes com o objetivo de "diagnosticar" os reflexos da AR na vida desses indivíduos.
A maior parte são mulheres (82%), na faixa etária dos 41 aos 60 anos, que convivem há cerca de 8 anos com a enfermidade. Os dados são alarmantes, a começar pelo diagnóstico. Em média, os pacientes passaram por três médicos, em um longo caminho que dura entre 1 até 5 anos (36%) e, em alguns casos, até 10 anos (25%) para descobrirem que têm a doença.
O ideal, segundo o reumatologista Cristiano Zerbini, coordenador do Núcleo de Reumatologista do Hospital Sírio-Libanês, "é que o diagnóstico aconteça até três meses após o surgimento do primeiro sintoma. É a chamada janela de oportunidade, que é fundamental para a eficácia do tratamento."
O levantamento ainda aponta outra questão importante: 76% não conhecia a artrite reumatoide e, entre os que já tinham ouvido falar da doença, a maioria era formada por aqueles que tinham algum familiar com AR.
Em relação às tarefas diárias, 51% dos entrevistados alegaram sentir alguma ou muita dificuldade, como passear no entorno da casa, alcançar objetos, comer, vestir-se, entre outros. A pesquisa também apontou os impactos emocionais e sociais, sendo que 76% respondeu que no exato momento do diagnóstico teve medo de perder algum movimento, seguido do sentir dor e de perder a independência.
Ao serem questionados se já haviam buscado ajuda psicológica, 80% respondeu que sim e 34% ainda segue com o acompanhamento. Um outro levantamento, RA NarRAtive (Rheumatoid Arthritis), desenvolvido pela Pfizer em parceria com médicos e associações de pacientes, revela que um em cada quatro pacientes tem outra doença inflamatória e muitos sofrem de outros distúrbios, como ansiedade (quatro em cada dez pacientes) e depressão (um em cada três pacientes).
A pesquisa da Pfizer ainda mostra números altos quando o assunto é o impacto na vida profissional e o convívio diário com a doença. A maioria teve que adaptar a rotina, reaprender a fazer atividades do cotidiano e aprendeu a dar valor a pequenas coisas. Além disso, 44% revelou que teve a vida profissional afetada.
Porém, um aspecto que merece destaque é que 78% busca ser mais forte por causa daqueles que são mais próximos e 86% é otimista em relação aos tratamentos.
A repórter viajou a convite da Pfizer


