Mulheres têm até quatro infecções urinárias por ano
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

Foi há quase 10 anos que a historiadora Jullie Anne Kuntz Truss, 29, teve sua primeira infecção urinária. De lá para cá, ela tem pelo menos quatro episódios a cada ano. "O que mais me incomoda é o odor da urina, que também fica com uma coloração mais forte, mas a ardência não acontece em todas as vezes", conta.
Truss acredita que a soma de fatores como má qualidade do sono, alimentação, ingestão de líquidos, hábitos higiênicos e a própria imunidade são causadores da infecção. "No meu caso, é só a imunidade cair para ela (infecção) aparecer", diz.
O ginecologista e obstetra em Londrina, Inácio Inoue, afirma que é normal as mulheres apresentarem até quatro episódios de infecção urinária por ano. "Passando disso é preciso investigar a causa e, se necessário, realizar um tratamento de supressão. Já os homens, tendo apenas uma vez ao ano já devem procurar o médico", aponta.
As mulheres são mais acometidas por uma questão anatômica. O médico explica que a uretra curta (em torno de 4 cm) aumenta as chances de contrair as bactérias que vêm do próprio intestino. A principal delas é a Escherichia coli, conhecida como E.col.
De acordo com a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), 50% das mulheres serão acometidas pela doença ao menos uma vez na vida. A cistite ou infecção urinária baixa é a mais comum (85%) e tem como sintomas o desconforto no baixo ventre, ardência ao final da micção, necessidade de ir mais vezes ao banheiro e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
Mas há outros dois tipos de infecção do trato urinário. A bacteriúria assintomática, caracterizada pela colonização de bactérias na bexiga, como o próprio nome já diz, não tem sintomas. Dessa forma, o tratamento só é prescrito para gestantes e indivíduos imunodeprimidos.
Já a pielonefrite atinge os rins. É uma infecção ascendente que começa com a bacteriúria ou cistite mal tratada. Os sintomas envolvem febre alta e dor lombar.
REPETIÇÃO
Quando a mulher apresenta mais de quatro infecções urinárias no ano, é importante visitar o médico. "As infecções de repetição podem estar associadas com a má formação do trato urinário, cálculos urinários, imunidade e hábitos de higiene", cita o ginecologista.
Nesses casos, ele recomenda algumas medidas profiláticas, como o uso de antibiótico uma vez ao dia durante seis meses para quebrar o ciclo infeccioso. "Outra opção é a vacina em quadros provocados pela bactéria E.coli", sustenta.

