A conscientização das mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce é tão importante quanto os avanços no tratamento do câncer de mama. Se o tumor for descoberto na fase inicial, as chances de cura aumentam consideravelmente.
O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. Só no Brasil, a estimativa para 2015 é de 57 mil novos casos. Não é à toa, portanto, que a luta simbolizada pelo laço cor-de-rosa é no sentido de reforçar a importância do autoexame, mas também disseminar o conhecimento em relação aos fatores de risco.
Novas informações surgem a cada pesquisa. Algumas divulgadas recentemente revelam que o câncer de mama pode estar elencado a outras questões de saúde, como por exemplo, a síndrome metabólica. Como é o caso do estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Botucatu (SP), que teve a participação dos mastologistas Daniel Buttros e Gilberto Uemura, da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Foram avaliadas 312 mulheres de 45 anos ou mais, dentre elas 104 tratadas de câncer de mama há pelo menos cinco anos, e 208 que nunca foram portadoras da doença. "A conclusão foi que as pacientes com câncer apresentaram maior risco para desenvolver síndrome metabólica do que o outro grupo, com prevalência de 50% e 37,5% respectivamente", explica Uemura.
A síndrome metabólica pode ser definida como um conjunto de fatores de riscos que incluem obesidade abdominal, dislipidemia (HDL baixo e triglicerídeos aumentados), hipertensão arterial e disglicemia (glicose alta). Ela está associada à desordem metabólica denominada resistência insulínica, onde a ação normal da insulina está prejudicada.
A relação da síndrome metabólica com o câncer de mama tem sido extensivamente estudada nos últimos anos, tendo em vista a perspectiva da mesma como causa do câncer de mama e também como efeito posterior ao câncer.
Segundo Uemura, nesse contexto está bem estabelecido que o ganho de peso entre as mulheres tratadas de câncer de mama é superior a 60%, inclusive em outros estudos. "Esse ganho deve-se em parte à diminuição da atividade física, associado com o estresse psicológico e físico do tratamento", salienta.
O mastologista ainda ressalta que existe uma correlação entre obesidade, o câncer de mama e o período pós-menopausa. "Vários trabalhos científicos apontam um tipo de câncer de mama que surge com características ‘mais agressivas’ que os demais, ou seja, com pior prognóstico. E se comparado com outras faixas de idade, o período pós-menopausa representa a maior incidência", completa.

OBESIDADE
A relação entre obesidade e câncer também foi alvo de um artigo publicado recentemente na Grã-Bretanha, pela revista de medicina The Lancet. O estudo foi realizado por cientistas da London School of Hygiene and Tropical Medicine e afirma que o país teria 12 mil casos de câncer a menos por ano se ninguém estivesse acima do peso.
A pesquisa monitorou alterações na saúde de cinco milhões de pessoas durante sete anos e relaciona o aumento de peso (de 13 a 16 quilos em adultos) e o crescimento do risco de desenvolver seis tipos de câncer (útero, vesícula, rim, colo de útero, tireoide e leucemia).
Pessoas com altos níveis de massa corporal (IMC) também ter maior possibilidade de ter câncer de fígado, cólon, ovários e mama pós-menopausa. De acordo com o mastologista, após o tratamento curativo, mulheres obesas também apresentam maior chance de recorrência da síndrome metabólica e o dobro do risco de morte pelo câncer quando comparadas a mulheres não obesas.
Considerando essas questões, as recomendações para hábitos de vida mais saudáveis ganham ainda mais relevância. É importante considerar um plano alimentar com a ajuda de um profissional de nutrição, que poderá fornecer informações para ajudar na sensibilidade à insulina, diminuir os níveis plasmáticos de glicose, reduzir a circunferência abdominal e, consequentemente, a redução de peso.
"A promoção de estilo de vida saudável é de particular importância nessa população vulnerável, incluindo a orientação alimentar e atividade física, com melhora na qualidade de vida. Esse conceito já é bem conhecido na prática diária contra as doenças cardiovasculares, e agora demonstra também ganho significativo na guerra contra o câncer de mama", observa Uemura.

Imagem ilustrativa da imagem Muito além do laço cor-de-rosa
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