Domingo de sol, 8 horas da manhã, na pista de ciclismo do Lago Igapó – um dos principais cartões postais de Londrina. O cenário é um estímulo à prática esportiva e este é o objetivo de um grupo de amigos, que em posse de suas bicicletas saem dali para uma pedalada de pelo menos 35 km. Naquele grupo de ciclistas há profissionais de diversas áreas, cada um com sua história, mas uma delas chama atenção pelo antagonismo: saúde x cigarro. "Comecei a fumar aos 14 anos. Lembro até hoje que comprei meu primeiro maço de cigarros com o primeiro salário que recebi trabalhando como office boy". Esta é a história do jornalista Carlos Soares de Oliveira, de 42 anos. Ele lembra que, na época, o cigarro era cercado de glamour, estava relacionado ao status e havia muitas propagandas na televisão que incentivavam o uso do produto. "Comecei para fazer graça. Nas primeiras semanas eu nem sabia tragar, achava que poderia parar quando quisesse e por causa desta brincadeira acabei fumando dois maços de cigarro por dia durante 25 anos", recorda.
O jornalista conta que até os 20 anos não tinha preocupação com a saúde, mas a partir de uma certa idade tentou parar de fumar por várias vezes. "Perdi as contas de quantas vezes acordei de manhã dizendo que naquele dia pararia de fumar, mas quando chegava no final do dia eu não tinha conseguido", revela.
Uma passagem muito triste o motivou a abandonar de vez o cigarro. "Perdi meu pai há três anos e três meses por causa do álcool e do cigarro", conta. O choque e a responsabilidade de passar um bom exemplo aos filhos deram forças para que ele alcançasse seu objetivo. "Marquei uma data e, diferentemente das outras tentativas, falei para todo mundo que pararia de fumar no dia 3 de janeiro, era uma segunda-feira", afirma. No dia anterior, Oliveira acendeu seu último cigarro e deixou o restante do maço sobre a estante da sala. Os cigarros que sobraram foram para o lixo alguns dias depois, intactos.
O apoio da família foi fundamental para que ele alcançasse o objetivo, mas os desafios vieram. "Logo no primeiro dia os amigos do trabalho marcaram para tomar uma cerveja no final do expediente. No início eu não queria ir porque achei que acabaria fumando, mas repensei, fui e não fumei. Não queria mudar meus hábitos por causa do cigarro", ressalta. Segundo ele, inicialmente, cada dia sem cigarro era uma vitória.
Livre do tabaco há três anos, Oliveira avalia que sua vida mudou para melhor. "A primeira coisa legal é deixar de feder cigarro; é muito bom passar um perfume pela manhã e ainda sentir o cheiro no final do dia", aponta. A segunda melhora que sentiu foi no paladar. "A comida passou a ter outro sabor. Antes eu nem comia alguns alimentos porque não achava graça, mas agora eu sinto o sabor", enfatiza.
As mudanças de vida estimularam o jornalista a incluir um esporte na sua rotina e há um ano ele começou a pedalar todos os finais de semana. Ao contrário do cigarro, o esporte trouxe a ele disposição e saúde. E quando questionado sobre quanto a sua vida mudou, a resposta de Oliveira é: "Mudou 100% para melhor". (M.A.)

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