Se manter uma rotina saudável depende de bons hábitos, reconhecer a importância das ações de mudança e conseguir vivenciá-las é um dos caminhos para uma vida melhor. A grande dificuldade da maioria das pessoas, segundo os profissionais da saúde, é justamente saber enfrentar a mudança e se desligar de hábitos ruins como má alimentação, sedentarismo, tabagismo e estresse. Um método desenvolvido pelo psicólogo norte americano William Miller, ainda pouco difundido no Brasil, tem ajudado muitas pessoas. Criada na década de 1980, a Entrevista Motivacional (EM) orienta o indivíduo a pesar o que é mais importante para sua vida e o estimula a buscar forças para mudar.
A psicóloga do Centro do Coração de Londrina, Marcela Gonçalves Brandina, explica que o método é utilizado para aumentar a motivação intrínseca para a mudança, por meio da exploração da ambivalência. Segundo ela, pessoas que passam pela EM tendem a mostrar mais mudanças no comportamento do que aqueles que recebem intervenções educacionais, didáticas ou persuasivas. Comparada a outros tipos de tratamento como o TCC (Terapia Cognitivo Comportamental), os resultados são similares mas alcançados em menor número de sessões.
''Nos primeiros momentos em que a pessoa procura ajuda para mudar alguma coisa em sua vida, ela vive um momento de ambivalência muito forte, ou seja, tem muitas dúvidas. As entrevistas motivacionais ajudam neste momento de decisão, com o entendimento do que é realmente mais importante para a vida'', diz Marcela.
Relativamente simples, a técnica é baseada em princípios cognitivos como entendimento dos problemas e reações emocionais. A psicóloga explica que durante o tratamento - realizado por meio de sessões de aproximadamente uma hora - são estabelecidas alternativas para modificação de padrões de pensamentos e implementação de soluções. O criador da EM acredita que a mudança comportamental é um processo em que as pessoas têm diversos níveis de motivação, de ''prontidão para mudar''.
''A necessidade de mudanças surge em diversos setores da vida de uma pessoa, desde a busca por uma alimentação adequada até assuntos relacionados a emprego ou relacionamento. O que falta é a pessoa alcançar a decisão de mudar. Durante o tratamento usamos técnicas para mostrar todas as circunstâncias, mas é a pessoa que vai pesar o que é melhor para ela'', enfatiza a psicóloga.
Por etapas
Os estágios motivacionais são pré-contemplação, contemplação, determinação ou preparação, ação, manutenção e recaída. Marcela explica que na pré-contemplação não há a consciência de que existe algum problema e, quando há, a responsabilidade acaba sendo atribuída a outras pessoas. Na contemplação, o paciente pensa em modificar algo, mas ainda não se fez nada para tal.
Já na determinação ou preparação, está concretizada a intenção de mudar, mas ainda é necessário um planejamento de ação. ''É na ação que o sujeito está decidido a mudar e já está fazendo algo para isso. Na manutenção, deve-se manter os resultados obtidos nas etapas anteriores. A recaída, ou volta ao padrão de consumo anterior, faz parte do processo de mudança e muitas vezes é o modo como a pessoa aprende e recomeça o tratamento de forma mais consciente'', aponta.
Apesar de parecer complexa, a EM pode ser realizada em apenas uma sessão. Mas, segundo a psicóloga, o indivíduo tem que estar disposto a trabalhar a mudança na sua vida. ''Quando você conecta seu desejo a algo importante para você, a mudança acontece. A EM não força ninguém a nada, só ajuda na busca de um outro caminho. A força de vontade é algo muito individual, mas quando ela acontece, pode transformar a vida de uma pessoa para melhor'', finaliza.

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