O ginecologista e obstetra Gustavo Eduardo Vitorino explica que de todos os métodos possíveis para se fazer a laqueadura o realizado por histeroscópio (via vaginal) é o mais seguro, mas ele frisa que tanto o profissional quanto a paciente esbarram no custo. ''Apenas as molinhas e o aparelho necessário para fazer a colocação delas nas trompas ficam em mais de R$ 6 mil, por isso é inviável para a maioria das mulheres e os planos de saúde não cobrem este custo'', destaca. O médico acrescenta que os convênios em geral só autorizam a realização da laqueadura convencional. Em Santa Catarina, uma lei autoriza o procedimento sem cortes pelo SUS em todo o Estado.

O dispositivo que é colocado nas trompas em formato de mola mede quatro centímetros, e é feito em titânio (material que apresenta excelente compatibilidade com o organismo). Nas semanas que se seguem ao procedimento, o corpo e os microimplantes trabalham juntos para formar uma barreira natural que impede o espermatozoide de alcançar o óvulo. Como o efeito desejado depende da reação do organismo é recomendado que, durante os três primeiros meses, a paciente continue a usar outra forma de contracepção. A confirmação da obstrução das trompas poderá ser feita por uma radiografia simples da pelve, logo após este período.

Uma das vantagens da laqueadura realizada pelo histeroscópio é a rapidez do procedimento, que dura em média 20 minutos e possibilita que a paciente volte para a casa no mesmo dia e retome as atividades normais no dia seguinte. Uma desvantagem apontada pelo médico é que este método não tem volta. ''A laqueadura convencional ainda pode ser revertida em alguns casos, mas a mulher que opta por este método das molas nas trompas só conseguirá engravidar se fizer fertilização in vitro'', salienta.

De acordo com o tratamento, a contraindicação existe para as mulheres que apresentam inflamações no útero ou nas trompas. Neste caso, ele ressalta que é importante tratar o problema antes de realizar o procedimento.

O método indolor e pouco invasivo é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e vem sendo usado como uma alternativa para mulheres que têm patologias que aumentam os riscos cirúrgicos como hipertensas, cardiopatas, diabéticas e mulheres com sobrepeso. (M.A.)

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