Mente sedentária, não
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domingo, 06 de março de 2016
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Aprender, estudar, brincar, se movimentar. É infinita a lista de ações que dependem do bom funcionamento do nosso cérebro. Atuando como uma máquina sem parar, esse órgão tão importante e complexo do corpo precisa também de exercícios.
Pode ser que muitos já tenham conhecimento sobre isso, mas a maioria se engana ao pensar que o assunto está atrelado somente ao envelhecimento. É fato que os sinais vão surgindo com o avançar dos anos, mas a prevenção começa logo cedo, nas primeiras fases da vida.
Jerusa Smid, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), lembra que muitos estudos apontam que a alta escolaridade é um dos fatores que protegem contra doenças degenerativas.
"Pessoas analfabetas, por exemplo, têm muito mais chances de ter doença de Alzheimer ou outros quadros de demência. Por isso, em prevenção a gente pensa que quanto mais estímulo o cérebro receber, mais terá reserva cognitiva no futuro", declara.
O geriatra do Hospital Sírio-Libanês, Alexandre Leopold Busse, compartilha desse entendimento, ressaltando que quanto maior é o nível educacional da pessoa, principalmente nas primeiras fases da vida, mais proteção ela tem para o cérebro.
Com isso, especialistas afirmam que, além de estudar, é relevante buscar estímulos que podem trazer um aprendizado para o cérebro, como por exemplo, aprender novos instrumentos musicais, idiomas ou mesmo praticar atividades como jogos e palavras cruzadas.
Aos 11 anos, o londrinense João Antônio Sitta Martins conta que, além de matemática, sempre gostou de jogos de desafios. Hoje, além da escola, frequenta um curso em Londrina que estimula o raciocínio lógico. E ele garante que tem se saído bem melhor nos estudos.
"Aprendi a mexer com o ábaco (um antigo instrumento de cálculo) e isso tem me ajudado muito nos cálculos básicos. Parece até que fiquei mais rápido nas respostas", conta.
Auge
Por volta dos 40, 50 anos de idade, as células cerebrais estão no auge, o que significa que a partir dessa fase é natural haver um declínio das funções cognitivas, porém, de forma leve. Isto é, incapaz de causar nenhuma implicação significativa no dia a dia.
No entanto, é preciso diferenciar se esse declínio é tido como normal ou se é suficiente para trazer dificuldades nas atividades cotidianas. "Nesse caso, a gente imagina que possa estar em um contexto de doença", afirma a neurologista Jerusa Smid.
Ainda de acordo com ela, entre os quadros de demência relacionados ao processo de envelhecimento, a doença mais frequente é o Alzheimer, seguido de demência vascular, associada a lesões vasculares do cérebro.
Pensando na importância do trabalho preventivo e na divulgação de informações sobre o tema, o Serviço de Gerontologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, criou o Programa Cérebro Ativo, que por meio de um trabalho multidisciplinar, visa promover a saúde cerebral de adultos e idosos.
"Há orientações sobre o funcionamento cerebral, assim como práticas para se ter uma boa atenção e memorização. Além disso, profissionais de saúde são capacitados para conduzir o programa em outros locais", comenta Alexandre Busse, um dos coordenadores do Curso de Capacitação em Estimulação Cognitiva Intergeracional: Teoria e Prática".


