Mensagem sobre saúde: não compartilhe antes de checar
Pelo telefone (61) 99289-4640, do Ministério da Saúde, a população pode enviar mensagens que recebe nas redes sociais para confirmar se a informação procede
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de setembro de 2019
Pelo telefone (61) 99289-4640, do Ministério da Saúde, a população pode enviar mensagens que recebe nas redes sociais para confirmar se a informação procede
Reportagem local 

Brasília - O mundo digital tornou o nosso dia a dia muito mais fácil, mas também abriu a porta para a manipulação de documentos, imagens e dados. Toda essa facilidade encontra nas redes sociais o ambiente favorável e potente para se espalhar e, claro, sem a necessidade de embasamento ou pesquisas para comprovar a veracidade das informações. Nesse ambiente, pouco se checa, apenas acreditam nos responsáveis que ali publicaram.
Mas quando as “notícias” envolvem a saúde, o impacto não é só na pessoa que recebe e passa a informação, mas sim em toda a população. Para lutar com tantos ambientes favoráveis à disseminação de Fake News, que em bom português significa notícias falsas, o Ministério da Saúde criou, em 2018, o canal de WhatsApp Saúde Sem Fake News. Pelo telefone (61) 99289-4640, a população pode enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando. Confira algumas notícias falsas que o MS recebeu ao longo do ano:
Vacinas causam autismo – FAKE
Um estudo apresentado em 1998, que levantou preocupações sobre uma possível relação entre a vacina contra o sarampo, a caxumba e a rubéola e o autismo, foi posteriormente considerado seriamente falho e o artigo foi retirado pela revista que o publicou. Infelizmente, sua publicação desencadeou um pânico que levou à queda das coberturas de vacinação e subsequentes surtos dessas doenças. Não há evidência de uma ligação entre essa vacina e o autismo/transtornos autistas.
Água gelada faz mal – FAKE
Além de atribuir o texto ao médico Dráuzio Varella com uma especialidade diferente da dele, o texto contém diversas informações falsas e alarmistas. Essa mensagem já foi desmentida pelo portal Boatos.org, parceiro do Ministério da Saúde no combate às Fake News. O portal esclarece que essa mensagem circula há algum tempo, com pequenas modificações. Saiba mais: https://www.boatos.org/saude/drauzio-varella-agua-gelada-cancer.html
Nova gripe fatal e cura de gripe com chá de erva doce - FAKE
O Hospital das Clínicas de São Paulo esclareceu que não realizou alertas à população sobre um suposto vírus da gripe que se espalha. Além disso, as orientações que o chá de erva-doce tem a mesma substância do medicamento Tamiflu é falsa. Mesmo pessoas vacinadas, ao apresentarem os sintomas da gripe - especialmente se são integrantes de grupos mais vulneráveis às complicações - devem procurar, imediatamente, uma unidade de saúde. O médico é que vai avaliar a necessidade de prescrever uso do antiviral fosfato de oseltamivir.
Maculopatia causada por smartphone - FAKE
O texto intitulado USO DO CELULAR NO ESCURO está repleto de informações equivocadas e sem comprovação científica. Não existem estudos científicos mostrando que o uso do celular, seja a noite ou durante o dia, provoque maculopatia (que o texto erroneamente classifica como câncer no olho), catarata, olho seco, degeneração macular ou perda de visão. É certo que o impacto do uso excessivo dos smartphones está sendo estudado por pesquisadores, mas as graves alterações citadas no texto não têm a menor comprovação científica. A leitura de smartphones no escuro, pode estar associada a astenopia, ou seja, fadiga ocular, cefaleia, ardências e dor ocular; conforme o trabalho de ANTONA, B da Universidade de Madrid publicado na revista Applied Ergonomics 68 (2018) 12-17.
Cura do câncer por alimentos milagrosos – FAKE
O conteúdo da mensagem é falso. Apesar da redução do consumo de açúcar ser benéfica para a saúde e para a prevenção do câncer, uma vez que a doença está instalada, não há alimentos ou medidas milagrosas capazes de eliminá-la. Outras “receitas milagrosas” sem base científica são: misturar limão com uma xícara de água quente e beber óleo de coco orgânico. O paciente de câncer deve buscar orientação médica, seguir o tratamento proposto pelo especialista e evitar buscar soluções milagrosas. Há grandes riscos envolvidos no abandono de tratamentos convencionais recomendados por médicos e profissionais de saúde experientes e qualificados, em substituição por terapias alternativas sem comprovação científica.

