Menopausa atinge mulheres antes dos 40 anos
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de setembro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local <br> 
Aos 28 anos Joana (nome fictício) parou de menstruar. A ginecologista que a acompanhava na época diagnosticou a menopausa precoce, mas não fez nenhum exame mais aprofundado para descobrir o motivo da falência ovariana. ''Algum tempo depois mudei de médica e ela me disse que poderia ser uma doença autoimune'', conta. Segundo ela, foi exatamente isso que os exames apontaram. ''Tive menopausa precoce por conta de uma doença autoimune que afetou todas as glândulas hormonais do meu corpo''.
Considerada um distúrbio hormonal que resulta na falência ovariana, a menopausa precoce atinge cerca de 2% das mulheres. Joana não é a única a enfrentar o problema, no Brasil o número de pacientes entre 12 e 40 anos pode chegar a 2 milhões. A menopausa precoce é caracterizada pela diminuição da produção de hormônios, interrupção da ovulação e da menstruação. Quando isso acontece antes dos 40 anos é considerada precoce.
No caso de Joana, se o problema não tivesse sido descoberto, outras complicações poderiam ter aparecido. Atualmente com 40 anos, ela não tem filhos e conta que sua vida poderia ter sido diferente se tivesse diagnosticado antes a menopausa. ''Quando eu descobri foi um susto. Se você não quer ter filho é uma coisa, mas se você não pode é diferente'', afirma, acrescentando que hoje em dia há muito mais recurso e informação. ''Acho que a mulher não pode se contentar com a opinião de um médico só, quando se depara com um diagnóstico assim'', afirma.
De acordo com o médico ginecologista Fernando de Paula, atualmente alguns fatores causadores do problema já foram definidos. ''Sabemos que o tabagismo, o uso de certos tipos de medicamentos - entre eles os quimioterápicos, doenças autoimunes e algumas infecções como a caxumba e a rubéola - podem desencadear a menopausa precoce''.
Ele destaca que apesar das causas comportamentais, questões genéticas também influenciam. ''Há mulheres que nascem com uma alteração na formação dos ovários que faz com que ela tenha uma reserva menor de folículos''. Conforme ele, algumas síndromes como Down e Turner também são relacionadas ao aparecimento da menopausa precoce.
Menopausa, na verdade, é o nome dado à última menstruação. O nome adequado para esta situação que leva à menopausa precoce é Síndrome Climatérica Precoce ou Falência Ovariana Prematura (FOP). Para Fernando de Paula, quanto mais precoce o ovário parar de funcionar, maior a chance da paciente apresentar osteoporose e doenças cardíacas, já que o hormônio feminino é responsável por fornecer uma proteção aos ossos e ao sistema cardiovascular. ''A paciente passa a lidar com a pele mais seca, mamas flácidas e queda na libido'', elenca. O ginecologista lembra que a menopausa precoce acaba tendo consequências muito importantes na vida da mulher, por isso ele considera importante a reposição hormonal.
O tratamento das pacientes que passam por situação semelhante deve ser multidisciplinar. Além do ginecologista, é importante que a mulher seja acompanhada por um cardiologista e em alguns casos endocrinologistas e psicólogos também devem integrar a equipe. ''A maioria das mulheres precisa fazer reposição hormonal porque esta acaba sendo a única maneira de reduzir alguns sintomas''.
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