MENOPAUSA - Tratamento com hormônios exige cuidados
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de abril de 2011
Fernanda Borges <br> <br> Reportagem Local 
Por muito tempo acreditou-se que a terapia de reposição hormonal poderia ser extremamente benéfica às mulheres que vivem o período da menopausa e também depois dele. Estudos científicos têm comprovado cada vez mais que os riscos desse público adquirir câncer de mama, além de passar por um evento cardiovascular ou infarto agudo, é grande. Atualmente, a Sociedade Brasileira de Climatério restringiu o uso da terapêutica a casos específicos e por isso cabe ao médico investigar ainda mais a saúde da paciente antes de indicar o tratamento.
O cardiologista Ricardo José Rodrigues lembra que já na década de 1990 o Estudo Hers apontou que a reposição hormonal em mulheres pós-menopausadas significava um aumento no índice de mortalidade em que os riscos das doenças mais evidentes eram infarto, doença coronariana, embolia pulmonar e trombose. Ainda assim, muito se defendeu que o estudo havia sido realizado numa época em que as doses hormonais de estrógeno e progesterona eram muito altas e por isso havia o risco do aumento das doenças.
''No ano de 2002 um novo estudo deixou claro que de num universo de dez mil pacientes havia pelo menos oito chances de surgir problemas de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto. A maioria das mulheres estudadas era de 65 anos e 80% delas não apresentavam sintomas fortes da menopausa'', diz Rodrigues.
A polêmica se dá quando envolve a qualidade de vida das pacientes, por isso o cardiologista lembra que não se pode olhar apenas para a mortalidade mas também para a qualidade de vida da pessoa. ''Se a mulher está tendo dificuldade no relacionamento sexual, tem apresentado pele ruim e muitos sintomas de fogaxo (ondas de calor), a terapia com reposição hormonal é válida. O que precisa ser feito é um tratamento com o menor tempo possível e que exponha essa mulher ao menor risco''.
O ginecologista e especialista em reprodução assistida, Dalmo Borges Ramos Júnior, confirma que as indicações para uso da terapia estão restritas a alguns sintomas como os fogaxos, insônia persistente e atrofia genital. Pesquisas científicas sustentam que não existe razão para dar início ao tratamento como forma de prevenção de doenças que surgem na pós-menopausa, como osteoporose e mal de Alzheimer, informa o médico.
De acordo com Dalmo, ficou evidente nos últimos estudos que a reposição hormonal pode contribuir para eventos cardiovasculares ou infarto agudo do miocárdio pois a terapia aumenta a coagulabilidade do sangue, o que precipita tais doenças na mulher.
''É dever do bom clínico, visto que só o ginecologista está preparado para instituir tal tratamento, fazer exames mamográficos prévios e anuais nas usuárias desse tipo de medicamento. Essas pacientes devem ser orientadas a não fumar e a fazer exercícios regulares, além de manter dieta balanceada rica em grãos como aveia, lentilha e soja'', orienta.
Ainda segundo o médico, as visitas ao ginecologista devem ser periódicas e os exames feitos regularmente para que não ocorram surpresas em qualquer modificação no organismo feminino que possa levar à suspensão do tratamento. ''A terapia de reposição hormonal, quando bem indicada, torna-se de grande valia para a melhoria da qualidade de vida das mulheres. O uso não deve ser descartado quando há indicação e segurança para tal terapêutica, até mesmo porque também está provado que a terapia previne várias doenças como osteoporose, degeneração macular, demência senil e a redução dos sintomas climatéricos, restaurando o equilibrio orgânico da mulher'', finaliza.

