SAÚDE EM DIA -

Médicos ‘receitam’ hidratação e distanciamento social

Com a chegada do clima mais frio e seco somado à pandemia da Covid-19, especialistas alertam a população sobre novos e velhos hábitos para a prevenção de doenças

Micaela Orikasa - Grupo Folha
Micaela Orikasa - Grupo Folha

Você já está sentindo a pele um pouco mais ressecada? Alguma alergia que há um certo tempo não se manifestava resolveu aparecer assim, de repente? E a garganta e o nariz começaram a dar sinais de que algo não está bem? Essas são algumas reações que o corpo costuma apresentar neste período do ano,  quando as temperaturas caem e o clima fica mais seco.  


Médicos ‘receitam’ hidratação e distanciamento social
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Quem sofre com as doenças respiratórias e alérgicas a cada mudança de estação deve ficar ainda mais alerta para as medidas de prevenção, considerando que os termômetros já estão "caindo" em Londrina.    




Porém, dessa vez não é só o clima frio que nos leva a repensar nos cuidados com a saúde em geral. O "inimigo" extra que está em circulação – o Sars-CoV 2 – tem obrigado toda a população a adotar novos hábitos de higiene no dia a dia.  


AMBIENTES FECHADOS

Em entrevista recente à FOLHA o infectologista em Londrina, Arilson Morimoto, comentou que “nos dias frios as pessoas preferem ficar em ambientes fechados, o que faz com que várias pessoas respirem o mesmo ar, aumentando o risco de contágio de vários tipos de vírus pelas vias respiratórias, entre eles a Covid-19". 


O vírus mais conhecido entre a população nesta época do ano é o Influenza, um dos responsáveis pelo aumento nos hospitais e clínicas médicas. No Pronto Atendimento da Unimed em Londrina, o supervisor médico Adriano Lucio Uchoa Brandão conta que a partir do mês de abril já é esperada uma mudança radical nos atendimentos. Isto é, as queixas gastrointestinais começam a dar lugar aos casos respiratórios. 


DISTANCIAMENTO  E HIGIENE

Por conta da pandemia do novo coronavírus, uma prática que toda a população vem sendo forçada a adotar nas últimas semanas é o distanciamento social. É uma forma bastante eficaz de proteção coletiva e, por isso, uma das recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde). Procure manter uma distância de até dois metros entre outra pessoa.  


O infectologista lembra que o clima frio também pode comprometer os hábitos de higiene. “Com a temperatura da água estando fria, o número de vezes que a pessoa lava as mãos tende a diminuir, aumentado o risco de contágio. O álcool gel é uma alternativa neste caso. Porém, como a pele costuma apresentar rachaduras por conta do clima seco, a tendência é deixar de lado o uso do álcool para evitar ardências na pele”, avalia. 

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Folha Arte
 



DOENÇAS VIRAIS

Todas as medidas preventivas valem também para o vírus Influenza, que geralmente tem manifestação clínica como resfriado (com sintomas localizados nas vias de porta de entrada como nariz e garganta) e a gripe (que acomete o nariz até o pulmão causando tosse, febre, mal-estar, dor de cabeça). Afinal de contas, essas doenças respiratórias são transmitidas através de gotículas de saliva. 


“Até então, lidávamos com o vírus H1N1 sendo o de maior gravidade, mas agora, temos o novo coronavírus que tem potencial também de causar pneumonia”, comenta Brandão, que é médico de Família e Comunidade. 


Ele diz que as doenças virais dependem muito do nosso sistema imunológico para serem combatidas e ressalta que evitar o contato físico é bastante eficaz. “Tivemos uma redução de 60% de atendimentos em todos os hospitais da cidade nas semanas de isolamento social. Com a reabertura do comércio, o reflexo só virá daqui uma ou duas semanas”, afirma. 



Apesar de Brandão considerar que a situação em Londrina é bastante controlada até o momento e que o isolamento permitiu que os serviços de saúde se reestruturassem, o médico demonstra grande preocupação com o descaso de parte da população.  “Temos visto as pessoas retomando as atividades de forma generalizada. Tem muita gente sem máscara e crianças na rua sem necessidade. O problema ainda não começou a surgir em Londrina de forma significativa.” 


CLIMA BRASILEIRO

Brandão também faz uma observação sobre o clima em relação à Covid-19. Ele diz que apesar de ainda não se ter conhecimento científico bem estabelecido, havia uma grande dúvida sobre como o vírus iria se comportar no clima brasileiro.  


“E vemos que regiões quentes como o Nordeste e o Amazonas estão sendo bastante prejudicados com o vírus. Ou seja, medidas de prevenção de contato talvez sejam mais importantes que as temperaturas”, avalia.



HIDRATAÇÃO

No outono e inverno, a principal queixa nos atendimentos do dermatologista em Londrina, Rafael Garani, é o ressecamento da pele de forma geral, especialmente as crises de dermatite atópica e aumento de alergias.  Sendo assim, além dos medicamentos prescritos pelo médico, os pacientes saem da consulta com uma recomendação essencial: a hidratação oral e da pele (preferencialmente logo após o banho). Para isso, ele ressalta a necessidade de mudança de hábitos como diminuir o tempo do banho e não usar bucha.

 

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Considerando que todos têm aumentado a frequência da higienização das mãos com sabonete antisséptico ou álcool gel, o dermatologista diz que o ideal é hidratar as mãos constantemente com cremes derivados de ureia, de preferência.  


“E caso tenha uma alergia específica ou infecção, tem que visitar um profissional. Com a higienização aumentada das mãos, a barreira cutânea vai sendo agredida, o que provoca um maior ressecamento e em alguns casos, um risco aumentado para desenvolver alergia cutânea”, explica.  


VITAMINA D

Em relação à vitamina D, que foi divulgada nas redes sociais como fator de proteção ao novo coronavírus, Garani ressalta que não há no momento nenhuma comprovação disso, mas diz que é importante todos terem uma exposição diária de 30 minutos em horário adequado (antes das 10h e depois das 16h).  


“A gente sabe que é um período de transição e de respeito à quarentena. Vale tomar sol na sacada ou janelas”, diz. A vitamina D ajuda a aumentar a imunidade, além de evitar osteoporose e fraturas na vida adulta.  




E como boa parte da população tem ficado mais tempo em casa, Garani entende que muitas recorrem a soluções caseiras para cuidar do cabelo, pele, unhas, entre outros. “Todos devem ser extremamente cuidadosos com o uso de receitas caseiras porque além da possibilidade de não ter eficácia, pode haver alergia, queimadura e até infecção”. (Colaborou Marcos Roman)

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