Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, o médico Roberto de Almeida Gil defende a regulamentação da venda e do consumo de álcool como uma forma eficaz de prevenção do câncer de fígado. A regulação, afirma ele, deveria ser ampla, a exemplo do que ocorreu com o tabaco, que colaborou para reduzir o consumo de cigarros entre os brasileiros.

Ele reivindica a associação das campanhas de esclarecimento dos malefícios a políticas de regulamentação da propaganda, políticas de conscientização da população através do próprio consumo do álcool e a desvinculação da imagem da mercadoria de padrões de felicidade. Gil também defende a proibição de iniciativas de estímulo ao consumo por parte dos jovens com festas patrocinadas por empresas fabricantes de álcool. "Não é a proibição nem a criminalização, não é a lei seca, mas é uma série de medidas para conscientizar a população de que aquele produto tem uma nocividade embutida nele."

A sensibilidade de uma pessoa aos efeitos do consumo frequente de bebidas alcoólicas depende de indivíduo para indivíduo e é preciso considerar a predisposição a hepatopatias, mas para quem não tem nenhum fator de risco as quantidades aceitáveis são um chope ou uma taça de vinho de 175 mililitros por dia, seis vezes por semana, ou meia xícara de café de destilado por dia, cinco vezes por semana. "Qualquer consumo acima dessa quantidade já eleva o risco de desenvolver doenças causadas pelo álcool. Quem tem fatores de risco não deve beber nada", destacou Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião do fígado e aparelho digestivo. (S.S.)

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