O médico ginecologista e também homeopata, Paulo Elias Albuquerque, alerta quanto ao uso indiscriminado dos anticoncepcionais e enfatiza a importância de priorizar seu uso - com ou sem interrupções - somente em casos de planejamento familiar. ''O ideal seria não ter que tomar anticoncepcional, mas existem situações que uma gravidez pode ser pior do que os efeitos colaterais do medicamento. Não vamos contraindicar. Só que acima de tudo, o anticoncepcional - assim como qualquer outro medicamento - é um tratamento e tem que ser direcionado ao caso e ao estilo da paciente. É preciso ficar atento a individualidade de cada mulher'', diz.
Com uma visão vitalísta, a homeopatia busca tratar a essência do indivíduo na sua integralidade. Por isso, o médico lembra que independente se o uso do anticoncepcional é contínuo ou com interrupções, a interação hormonal é a mesma. Isso, segundo ele, significa que os danos do medicamento no organismo não atingem apenas as glândulas hipófise e ovários, mas o organismo como um todo. ''Hoje em dia temos uma quantidade muito grande de produtos com muito menos efeitos colaterais do que tínhamos antes, mas ainda assim esses efeitos existem. Isso tem que ser valorizado. Nenhum medicamento usado indiscriminadamente, continuamente, é inóquo''.
Ainda segundo Elias, os anticoncepcionais também têm as suas desvantagens, que envolvem desde problemas vasculares, hepáticos até o surgimento de pedras na vesícula - principalmente o anticoncepcional oral. ''O tratamento com anticoncepcionais tem sido usado muito hoje em dia para as cólicas, dores de cabeça, TPMs, etc, está virando 'modismo'. Isso não vai resolver esses problemas, mas sim bloquear uma manifestação que é da paciente. Nesses casos é preciso ser feito o tratamento da causa dessas manifestações. A natureza cria todo um sistema durante uma evolução, são milhões de anos e então a gente intervém obstruindo o funcionamento dela. Isso tem efeito colateral. Se você usa o anticoncepcional contra uma gravidez que vai trazer mais dificuldades para uma paciente, aí sim. Essa é a função do anticoncepcional'', opina. (F.B.)

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