O sonho de casar e ter filhos faz parte da vida da maioria dos casais de namorados. Muitos se preparam economicamente para alcançar esta conquista, mas nem sempre a gestação vem na hora em que os casais julgam adequada. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, entre 8% e 15% dos casais têm dificuldades para engravidar. No Brasil, estima-se que mais de 278 mil casais enfrentem o problema.
Diante da dificuldade de engravidar, o ginecologista é o primeiro profissional a ser procurado e a bateria de exames que precisa ser feita para definir a causa do problema é extensa. Quando há constatação de que existe uma barreira real para a fecundação, são indicados métodos artificiais de reprodução.
De acordo com o médico ginecologista e obstetra Gustavo Eduardo Vitorino, o corpo humano não é matemático, mas os casais normais com até 30 anos tem uma chance de 80% de engravidar no primeiro ano de tentativas. ''Alguns casais procuram o ginecologista já no segundo mês de tentativas e ficam ansiosos pela gestação, o que pode acabar atrapalhando'', explica. Conforme ele, a questão emocional e a pressão familiar tem uma grande interferência neste momento da vida. ''Há casais que não conseguem engravidar nem da forma natural e nem com as técnicas assistidas, mas quando adotam uma criança engravidam'', conta.
Algumas mulheres enfrentam abortos naturais no início da gestação. O ginecologista explica que esta é uma ocorrência comum e que não significa que o casal não conseguirá prosseguir com uma próxima gestação. ''Consideramos que há alteração na reprodução do casal quando a mulher passa pelo terceiro aborto consecutivo. A partir desta situação iniciamos as investigações para descobrir o que está acontecendo'', conta. De acordo com o médico, a descoberta da infertilidade ocorre progressivamente, conforme vão chegando os resultados dos exames, por isso o diagnóstico geralmente não é surpresa para o casal.
Diagnóstico e tratamento
Quando há suspeita de infertilidade, o homem e a mulher devem se submeter a exames. Vitorino explica que é função do ginecologista fazer a investigação inicial das causas da dificuldade. Ele lembra que há alguns anos a mulher sempre levava a culpa pela infertilidade do casal, mas na realidade este pensamento não procede. ''O homem só precisa fazer um espermograma para saber se está tudo bem. É um exame prático e simples. Os exames feitos na mulher são mais complexos, invasivos e desconfortáveis'', afirma. A lista de exames básicos do casal realizados nestas ocasiões inclui dosagem hormonal, ultrassom e raio x contrastado de útero e trompas, além do espermograma.
Ao ser confirmada uma obstrução que impede a fecundação ou a fixação do óvulo, recomenda-se que o casal procure um especialista em reprodução. O médico ginecologista especialista em Fertilidade Conjugal, Renato Koike, afirma que um casal com dificuldades de engravidar precisa passar por várias etapas. ''Podemos fazer uma orientação geral, a estimulação da ovulação, o coito dirigido - que é a indicação do dia e horário adequado para a relação sexual conforme a ovulação da mulher, inseminação artificial e fertilização in vitro'', explica. Conforme ele, nem todos os casais passam por todas as etapas e a escolha da técnica mais adequada depende das peculiaridades de cada diagnóstico.
Pesquisas apontam que 1/3 dos problemas de infertilidade estão relacionados a saúde do homem, 1/3 tem ligação com a saúde da mulher e 1/3 do casal, quando ambos tem alterações que dificultam a procriação e há uma pequena porcentagem de casos que a medicina entende como ''esterilidade sem causa''.
Koike explica que a taxa de gestação de um casal que não tem nenhuma alteração varia entre 18 e 20% por ciclo e que a chance média de sucesso de um tratamento de fertilização varia entre 30 e 40%. ''O sucesso do tratamento depende da idade da mulher e do homem, e de fatores que causam a infertilidade. Consideramos um tratamento de sucesso quando os pais levam o bebê saudável para casa'', ressalta.

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