Médica de Londrina que descobriu câncer ao apalpar nódulo alerta para diagnóstico precoce
"O diagnóstico não é sentença de morte; existe vida durante o câncer", afirma a cirurgiã vascular que é a voz da campanha Outubro Rosa 2026 da AML
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terça-feira, 20 de outubro de 2026
"O diagnóstico não é sentença de morte; existe vida durante o câncer", afirma a cirurgiã vascular que é a voz da campanha Outubro Rosa 2026 da AML

O câncer de mama alcança mulheres em diferentes idades, profissões ou fases da vida. Pode chegar, inclusive, às médicas, como aconteceu com a cirurgiã vascular Alanna Silva Huk, de Londrina. Aos 36 anos, ela descobriu a doença ao apalpar um nódulo durante o banho.
Por ter vivido na própria história os desafios do diagnóstico e do tratamento, Alanna é a porta-voz da AML (Associação Médica de Londrina) na campanha Outubro Rosa 2026. Seu relato une a experiência de quem lida diariamente com cuidados relativos à saúde alheia à experiência de ser paciente. A mensagem da médica a outras mulheres que estão enfrentando a doença é de esperança. "O diagnóstico não é sentença de morte. Existe vida durante o câncer", afirma.
Alanna lembra exatamente o dia em que, ao tomar banho, sentiu um nódulo na mama. Era 28 de agosto de 2025 quando ela apalpou a pequena nodulação e, precavida, decidiu procurar um serviço de saúde para "tirar a cisma".
Após ultrassonografia, mamografia, ressonância magnética e biópsia, a médica recebeu a notícia que ninguém quer receber. O nódulo era realmente um câncer e, após uma segunda biópsia para definir a conduta, veio a confirmação de que o tratamento exigiria cirurgia e quimioterapia. "Eu sabia tudo que estava acontecendo, conhecia os exames, os passos e, mesmo assim, tive medo", relata.
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Quimioterapia e rotina diária
A quimioterapia começou em 17 de outubro de 2025. Foram 16 sessões ao longo de cinco meses, com aplicação semanal e uma rotina rigorosa de exames complementares. Ao final do tratamento, se submeteu à cirurgia realizada ao mesmo tempo em que foi feita a reconstrução mamária.
Durante os cinco meses de quimioterapia, Alanna manteve o trabalho, a prática de atividade física e os cuidados com os filhos Livia, 7 anos, e João Romeu, 3, nos dias em que se sentia bem. "Saía com as crianças, trabalhava, me alimentava bem. Nos dias ruins, deitava, comia melhor e deixava minha mãe cuidar de mim", recorda.
A experiência dela encontra respaldo na literatura científica. A prática regular de atividade física durante a quimioterapia está associada a melhor resposta ao tratamento e maior tolerabilidade aos efeitos colaterais, assim como alimentação adequada e descanso contribuem para o prognóstico.
'Pedir e aceitar ajuda'
A médica reconhece que contou com uma rede de apoio estruturada, com família presente e condições de manter a rotina de cuidados. Sabendo que muitas mulheres atravessam o tratamento em contexto menos favorável, ela faz um chamado a quem convive com pacientes em tratamento.
"É importante pedir e aceitar ajuda, os familiares precisam estar atentos a isso e ser uma rede de apoio verdadeira. Levar uma refeição pronta, umas frutas, fazer um serviço doméstico ou cuidar das crianças são cuidados simples e que fazem muita diferença", aconselha.
Ela também encontrou apoio fora do círculo íntimo. Ao compartilhar a experiência nas redes sociais, recebeu mensagens de mulheres desconhecidas que passavam pela mesma situação e se sentiu muito acolhida. "Falar sobre o assunto ajudou bastante, pois permitiu a troca de experiências", disse.
Autoestima como parte do cuidado
O câncer de mama é uma doença que afeta diretamente a autoestima das mulheres. Para a Alanna, a queda de cabelo e a perda de cílios foram os momentos mais delicados, pois ela sempre usou cabelos longos e sabia que a filha adorava o "cabelão" da mãe. Antes dos fios caírem, ela preferiu cortar curtinho para ir se acostumando e, mesmo se sentindo "feia" sem os cílios, buscou formas de se reencontrar.
"Fiz curso de automaquiagem e tentava me arrumar nos dias bons. Prefiro sempre ver o copo mais cheio, hoje penso que tive uma oportunidade de me ver com um cabelo curtinho", conta, lembrando que o receio quanto à mudança da aparência jamais deve afastar a paciente do tratamento. "O que mais importa é estar curada e estar viva."
Em final de tratamento, Alanna resume a mensagem que gostaria de deixar para quem recebe o diagnóstico e para quem convive com alguém que recebeu. "A nossa geração é a que mais vai sobreviver à doença. Há uma infinidade de tratamentos, com altas taxas de cura", destaca.
Preservar a saúde mental ao longo do processo é outro cuidado essencial e, no caso dela, encontrou forças também na religião para viver cada dia. "A cabeça tem que estar boa para sustentar o diagnóstico. É claro que há momentos difíceis, mas a vida é única e temos que escolher viver."
Tipo mais incidente entre as mulheres
O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres no mundo e o segundo no ranking global de todos os tipos da doença, representando 11,6% do total de casos. Em 2022, foram estimados cerca de 2,3 milhões de casos novos, o equivalente a 23,8% de todos os cânceres em mulheres, excluídos os casos de pele não melanoma.
No Brasil, a estimativa do Inca (Instituto Nacional do Câncer) para o triênio 2026-2028 é de 78.610 novos casos por ano, com risco de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. O maior risco se concentra em mulheres acima dos 50 anos e a distribuição é desigual entre as regiões, com o Sudeste apresentando a maior taxa e o Norte, a menor.
A detecção precoce é determinante para o prognóstico, como explica a mastologista Isabela Garcia Spironeli, associada da AML. Segundo ela, a Sociedade Brasileira de Mastologia orienta o rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos, com abordagem personalizada para as mulheres de alto risco, que devem iniciar a mamografia dez anos antes da idade do parente acometido ou aos 40 anos, o que ocorrer primeiro.
Rastreamento
A médica também faz um alerta frente à grande desinformação que circula sobre o exame, reforçando que a mamografia é segura e permanece como o método de rastreamento mais eficaz.
Fatores modificáveis, como obesidade, sedentarismo e consumo de álcool, e fatores genéticos, com as mutações BRCA1 e BRCA2 associadas a 5% a 10% dos casos, também pesam no risco de desenvolver a doença. O câncer de mama também atinge homens, que representam 1% de todos os casos, geralmente diagnosticados na sexta década de vida e, com frequência, em estágios avançados por falta de informação sobre a doença.
A discussão sobre rastreamento segue em ampliação na mastologia brasileira, que defende a ampliação da cobertura do exame sem limite etário rígido, em resposta ao número elevado de óbitos entre mulheres idosas. Segundo levantamento do Datasus ( Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde), entre 2015 e 2024 foram registrados 162.471 casos de câncer de mama em mulheres idosas no Brasil, dos quais 93.852 resultaram em morte.
Quando há sinais ou sintomas suspeitos, como nódulo persistente, descarga papilar sanguinolenta, retração cutânea ou mamilar e alterações na forma da mama, a investigação diagnóstica deve ser imediata, em qualquer idade.
(Com informações da Assessoria da AML)




