O diagnóstico positivo para HIV veio em 1987 quando Edson Facundo, conhecido como Tiba, hoje com 51 anos, encontrava-se preso no Cadeião em Londrina. ''Eu era usuário de droga injetável e naquela época não tinha informação sobre a doença e o risco do compartilhamento de seringa. Se um tinha a droga e outro tinha a seringa a gente dividia tudo'', conta.
No ano em que foi preso por tráfico de drogas, um grupo de alunos e professores da Universidade Estadual de Londrina fez o teste para identificar HIV em todos os detentos e Tiba era um dos oito que estavam infectados. ''Na hora do resultado me falaram que eu tinha Aids e ia morrer, mas eu dei risada. Três dias depois veio a morte social. Eu e os outros sete infectados fomos levados para o manicômio judiciário em Curitiba e cumprimos a nossa pena lá, em uma sala de isolamento'', conta.
Tiba ficou preso durante todo o período da pena, oito anos e três meses. ''Eu falei para psicóloga que queria processar o Estado porque tinha direito à redução de pena, mas ela me disse que o resultado do julgamento demoraria uns oito anos e eu já estaria morto'', lembra. Já faz 26 anos que Tiba foi infectado pelo HIV e há 16 ele tem Aids. Quando voltou de Curitiba para Londrina e reencontrou seus amigos e conhecidos as pessoas se assustaram. ''Eles achavam que eu tinha realmente morrido.''
Esta história aconteceu há 18 anos e, depois disso, Tiba nunca mais voltou para a cadeia como preso. ''Hoje eu vou na Penitenciária Estadual de Londrina, mas apenas para fazer palestra e dar orientação para os presos. Todos os dias eu dou a resposta para as pessoas que falaram que eu ia morrer'', destaca. Ele afirma que usou o diagnóstico para melhorar a sua vida. ''Se eu não tivesse HIV acho que já estaria morto'', afirma. Atualmente, além de ser integrante do Conselho Municipal de Saúde e do Conselho Municipal de Políticas sobre Álcool e outras drogas, Tiba é dirigente de uma ONG que ajuda usuários de drogas e pessoas soropositivas. ''Eu jamais imaginei que um dia estaria dirigindo uma ONG.''
Apesar de ter uma história vencedora, Tiba conta que não foi nada fácil superar o preconceito. ''A Aids é um desafio, o preconceito parte da própria pessoa infectada e se estende para a sociedade'', defende.
Tiba acredita no retroviral mas não na cura da doença. O mais importante depois do diagnóstico, segundo ele, é manter a cabeça no lugar. ''Eu busquei ser uma pessoa melhor, estudei e hoje sigo 99,9% do tratamento. Já tive muitas infecções oportunistas e estou tomando a última combinação de medicamentos possível'', comenta. Ele conta que já chegou a tomar 48 comprimidos por dia e hoje toma sete. (M.A.)

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