Maternidade planejada a longo prazo
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segunda-feira, 06 de fevereiro de 2012
Fernanda Borges <br> Reportagem Local <br> 
Esperar o momento certo - financeiro e social - para gerar um filho pode não ser a alternativa mais saudável para o organismo da mulher. Com a modernidade e o desejo de uma gravidez cada vez mais tardia, muitas se esquecem que os riscos aumentam, principalmente para o bebê. O congelamento de óvulos permite uma reprodução com material genético saudável, dando a oportunidade de a mulher vivenciar a gestação no momento que achar melhor. No Brasil, o procedimento tem sido mais comum do que muitas pessoas pensam.
O ginecologista especialista em tratamento de fertilização Dalmo Borges Ramos Júnior, de Londrina, explica que há um período na vida da mulher em que ela está capacitada a engravidar - mais ou menos entre 15 e 35 anos de idade - sem maiores riscos de malformações congênitas. Segundo ele, se a mulher deixar para engravidar depois dos 38 anos, as chances de complicações podem aumentar.
''Sabemos que os homens são capazes de regenerar seus gametas a cada três meses, o que mantém o DNA destas células praticamente intacto. As mulheres infelizmente não renovam seus óvulos. Com o tempo, estas células sofrem uma degeneração do seu conteúdo genético e perdem a capacidade de se reproduzir, ou pior, reproduzem-se erroneamente e acabam gerando seres humanos geneticamente anômalos, com graves repercussões clínicas'', explica. Conforme o especialista, isso ocorre porque a mulher nasce com um determinado número de óvulos e após a adolescência começa a eliminá-los mensalmente.
Uma campanha permanente lançada no ano passado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, com apoio da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e também da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), quer esclarecer a população feminina quanto aos riscos de se retardar o plano de ser mãe. De acordo com as entidades, quanto mais tardia a gestação, maior a possibilidade de uma frustração com gestações abortadas ou ocorrência de malformações genéticas.
''O congelamento dos óvulos permite que eles sejam descongelados e fertilizados gerando embriões que serão posteriormente transferidos para o útero das futuras mães, inclusive com possibilidade de uma avaliação genética pré-implantacional que garante a saúde genética daquele ou daqueles futuros seres'', diz Dalmo.
Polêmico
O médico esclarece que do ponto de vista da bioética ainda há muitas divergências quanto ao assunto, mas não deixa de destacar que o congelamento dos óvulos é um procedimento que melhora as chances de se ter um filho geneticamente saudável. ''A coleta dos óvulos sob estímulo deve ser feita em clínicas especializadas com profissionais capacitados e treinados em centros autorizados'', destaca.
A legislação brasileira contempla casos de custódia dos óvulos em casos de morte da doadora ou se ela desistir da manutenção destas células. O procedimento custa cerca de R$ 15 mil e os óvulos podem permanecer congelados por período indeterminado. ''É importante que as mulheres que queiram engravidar bem mais tarde procurem orientação médica especilalizada no assunto para saber quais as soluções para esta situação. A melhor indicação para o congelamento dos óvulos é para mulheres até 35 anos de idade'', finaliza.

