Por conta dos números epidêmicos, há muitos pesquisadores estudando as causas e tratamentos mais adequados para a depressão. As últimas pesquisas publicadas apontam a existência de redes neuronais no cérebro que estão diretamente relacionadas à doença. Uma delas é responsável pela avaliação cognitiva das emoções e é utilizada quando o indivíduo está relaxado, sem fazer nenhuma atividade. ''Quando precisamos tomar alguma decisão, executar uma ação ou interagir, desligamos esta rede medial e ligamos outra que é responsável pela execução das demais atividades'', detalha o médico psiquiatra Eduardo Prado.
Os estudos indicam que as pessoas com depressão não conseguem desligar a rede medial. ''Eles (pesquisadores) descobriram que a pessoa não consegue desligar-se de si para tomar decisões, ela não sente prazer em interagir com os outros'', acrescenta. Aliada a estas pesquisas desenvolveu-se uma tecnologia que permite a instalação de um aparelho semelhante a um marca-passo cerebral. ''É usado apenas em casos muito graves. Ele é um modulador que pode estimular ou desestimular esta rede neuronal usada nos momentos de relaxamento'', destaca.
Há ainda tratamentos mais tradicionais, como o eletrochoque. Prado explica que esta técnica consiste em sedar o paciente e aplicar um choque de 120 volts na região temporal. ''É uma técnica habitual, bastante utilizada e considerada a cura para a depressão do ponto de vista fisiológico'', afirma. Pesquisas apontam que a terapia com o eletrochoque tem a capacidade de regenerar neurônios. Ele destaca que este tratamento tem a capacidade de tirar a pessoa da situação de estresse de uma maneira muito rápida.
Medicamentos também podem ser usados no tratamento da depressão. São vários os princípios ativos que podem ser indicados aos pacientes. No entanto, as últimas pesquisas apontam que o uso da quetamina, um tipo de anestésico, é positivo. ''A aplicação deste anestésico em baixa dosagem tem sido bastante estudada, ele tira a pessoa da depressão rapidamente mas não consegue sustentar esta situação. Depois de um tempo, a pessoa volta a apresentar os sintomas''.
O médico afirma que o entendimento da fisiologia cerebral da depressão é recente. Ele destaca que é cientificamente provado que a depressão é uma doença séria, apesar de ainda haver um desconhecimento muito grande por parte da população. (M.A.)

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