Mãos limpas: mais que higiene uma ação pela saúde
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domingo, 12 de junho de 2011
Vinícius Fonseca <br> <br> Reportagem Local 
''Uma, lava outra, lava uma, lava outra, lava uma mão, lava outra mão... A doença vai embora junto com a sujeira, verme, bactéria, mando embora embaixo da torneira'', diz a lúdica canção composta por Arnaldo Antunes. Mas não é apenas a música que dá valor à higiene das mãos, especialistas também são enfáticos ao ressaltar que esse é um dos métodos mais eficazes para evitar doenças.
Mesmo com o passar dos anos, o tema sempre ganha força em determinados momentos enfrentados pela sociedade. Foi assim quando constatados os primeiros casos de gripe A e agora com o surto de Escherichia coli que tem provocado dezenas de mortes na Europa.
A importância das mãos limpas na prevenção de doenças fez com que, em 2008, a Unicef (órgão das Nações Unidas para a infância) determinasse um dia exclusivo para a conscientização de todos os povos. E o dia 15 de outubro tornou-se o Dia Mundial de Lavar as Mãos. O Brasil aderiu à campanha no ano passado.
A lavagem de mãos com sabão, como prega a campanha do órgão da ONU, é o meio mais eficaz e barato de prevenir mortes por diarréia e reduzir os riscos de cólera e de pneumonia. O simples gesto pode salvar a vida de um milhão de crianças por ano no mundo, segundo a Unicef.
A enfermeira Tissiane Tomaz de Aquino, do Serviço de Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar (SPCIH) da Santa Casa de Londrina, reforça a importância da higiene das mãos para a saúde e cita outra campanha desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a limpeza correta a pessoa gastará apenas entre 30 e 60 segundos de seu tempo, ''mas que fazem toda a diferença'', ressalta. ''A campanha é de cuidado seguro e uma das metas é a higienização das mãos que pode ser feita de maneira simples e rápida'', explica.
Uma pesquisa realizada pela consultoria britânica TNS Global Market Research, no ano passado, em mais de dez países, constatou que 51% dos brasileiros não tem o costume de lavar as mãos após usar o banheiro. Depois de tocar animais, só 21% fazem isso e ao alimentar crianças o número é ainda menor, chegando aos 11%. Tissiane defende que essa postura precisa mudar e acredita na escola como parte importante no processo. ''Hoje no mundo, não temos uma cultura de higienização das mãos e se a pessoa não for ensinada desde a infância, não é quando adulta que vai aprender. No hospital se percebe que depois de orientados, os visitantes executam os procedimentos corretamente'', conta.
A higienização correta das mãos, além de tirar a sujeira remove também micro-organismos que colonizam a pele, suor, oleosidade e as células mortas, evitando uma possível transmissão de doenças bacterianas ou virais, como exemplo, a gripe.
Na escolha do sabonete a enfermeira orienta dar preferência aos que contenham antisséptico em sua composição química. ''A mão precisa ser lavada antes e depois das refeições, o mesmo vale para o uso do banheiro, depois que se tosse ou espirra ou quando se percebe que a mão está suja. É fundamental o uso de água e sabão. O mercado oferece boas opções'', recomenda. ''O álcool gel também deve ser usado, mas apenas quando a sujeira na mão não está visível'', completa.
Segundo Tissiane, durante a higienização das mãos outro fator precisa ser levado em consideração. A profissional entende que nem todos podem utilizar papel toalha e dá a dica: ''Em casa quase todo mundo vai usar toalha de pano e o ideal é que ela seja trocada a cada 48 horas ou quando tiver uma sujeira aparente'', conclui.

