Independência financeira e uma carreira estável são sonhos almejados por grande parte das mulheres na sociedade atual. Para atingir tais objetivos, porém, muitas delas acabam deixando a gravidez em segundo plano. Sobre essa tendência mundial que já se manifesta no Brasil, números apontam que na década de 1970 as mulheres tinham em média seis filhos, enquanto hoje a média é pouco superior a duas crianças por casal. Em alguns países europeus, os dados chegam a ser ainda menores, havendo, inclusive, campanhas para estimular os cidadãos a constituírem família.
Engravidar tardiamente não é uma tarefa fácil. Especialistas defendem que a partir dos 35 anos as mulheres apresentam uma redução do índice de ovulação, o que diminui as possibilidades de uma gravidez. ''Muitos casais que optam por ter filhos tardiamente procuram um médico para fazer tratamento de reprodução assistida. Mesmo assim, as chances são pequenas'', alerta o médico especialista em reprodução humana Osmar Henriques, de Londrina.
Fatores de risco
Estresse, consumo de álcool, tabaco e outras drogas também podem ser considerados fatores de risco para quem prentende gerar um filho. Henriques explica que pode ser considerado infértil o casal que tenta engravidar há mais de um ano, sem resultado. De acordo com ele, 80% dos casais conseguem ter filhos ainda nos primeiros doze meses de tentativa.
O número de pessoas que apresenta alguma causa de infertilidade no Brasil varia hoje entre 8 a 10 milhões. ''A grosso modo é possível dizer que em 30% dos casos, os problemas (ligados à fertilidade) são atribuídos ao homem, 30% à mulher, 30% aos dois indivíduos que compõem o casal e 10% não têm causa aparente'', esclarece o ginecologista e estudioso da área de reprodução humana Renato Koike, também de Londrina. ''Ainda assim, os casos sem causa aparente já dispõem de tratamentos para se buscar a gravidez'', acrescenta.
Distúrbios hormonais
Nos homens, as principais causas que levam à infertilidade são a diminuição, a pouca mobilidade ou a inexistência de espermatozóides no sêmen, além da existência de varizes no órgão genital. Esses problemas são identificados por meio de um exame conhecido como espermograma. Nas mulheres, podem ser listados distúrbios hormonais que impeçam ou dificultem a liberação de óvulos, a menopausa precoce ou fisiológica, problemas nas trompas, aderências internas provocadas por infecções cirúrgicas ou endometriose, entre outros problemas.
Na opinião dos dois médicos ouvidos pela FOLHA, os estudos em reprodução humana têm evoluído com o passar dos anos, o que deve refletir na descoberta de novos tratamentos e métodos de concepção. ''Se compararmos o início, lá no primeiro bebê feito com ajuda laboratorial (proveta), com o que se tem hoje, percebemos uma grande mudança, mas ainda há o que melhorar. Porém, volto a frisar: laboratório não produz óvulo, não produz espermatozóide, e médicos não fazem milagre'', argumenta Henriques. ''Se o casal deseja ter filhos é bom que avalie se vale a pena priorizar a carreira enquanto jovem, porque o quanto antes tentar o bebê, maior será a chance de sucesso'', completa Koike.

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