Mãe achava que o filho era preguiçoso
A mãe de João (nome fictício) sempre percebeu diferenças entre o filho e as crianças de sua idade. Quando pequeno, o menino era rápido e esperto, os primeiros passinhos vieram na época certa, mas demorou para começar a falar. Como cada criança tem o seu tempo, este fato não chamou atenção dos pais do menino. Os primeiros problemas vieram quando ele começou a frequentar a escola e teve dificuldades na alfabetização - ele trocava letras na leitura e na escrita.
A memória curta de João e as dificuldades que ele tinha na escola acabaram gerando conflitos na família. A mãe achava que ele era um menino preguiçoso e por isso não conseguia acompanhar o ritmo dos outros alunos da sua turma. ''Você acha que a criança é preguiçosa, desatenta e está fazendo tudo aquilo de propósito. Ele levou muitas broncas e ficou várias vezes de castigo até identificarmos que ele tinha dislexia'', conta a mãe.
O caminho para chegar ao diagnóstico de João foi longo. ''Ele era mais calado, tinha poucos amigos e estava sempre triste'', contou, que após ver uma reportagem sobre déficit de atenção decidiu procurar ajuda. O tratamento com a fonoaudióloga melhorou a fala e a escrita do menino. Apesar de ter apresentado melhora evidente no comportamento, a mãe continuou achando que João ainda era diferente e as investigações prosseguiram.
O diagnóstico de déficit de atenção e dislexia veio aos onze anos. Com os tratamentos ele aprendeu a estudar e driblar as limitações que a patologia impõe. Hoje João tem 19 anos, está no segundo ano do curso de Medicina Veterinária e é um bom aluno. (M.A.)




