Os óbitos por doenças negligenciadas no Paraná em 2013 foram espalhados por várias cidades, mas algumas concentraram registros. Entre as 24 mortes por dengue, Campo Mourão e Paranavaí, com quatro cada, foram as que tiveram maior incidência.
As duas cidades estavam entre as que mais sofreram com a epidemia de dengue no Paraná entre 2012 e 2013, a pior dos últimos anos: o Estado teve 54,7 mil casos confirmados da doença no período epidemiológico entre agosto do ano retrasado e julho do ano passado, sendo 3,7 mil em Campo Mourão e quase 10 mil em Paranavaí.
Nos óbitos por Doença de Chagas, Londrina foi a cidade com mais mortes em 2013, 25 ao todo. Entre os óbitos por tuberculose, Curitiba teve mais registros - foram 26 mortes na Capital em 2013. Já as mortes por leishmaniose, hanseníase e esquistossomose não foram concentradas: cada óbito foi registrado em uma cidade paranaense diferente.
Sandra Regina Caldeira Melo, gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, se surpreendeu ao ser informada pela FOLHA de que a cidade apareceu com a maior concentração de mortes por Chagas no ano passado.
"Imagino que sejam casos de Chagas crônicos, isto é, em que as pessoas foram contaminadas há anos, porque em Londrina nós não temos notificação de casos agudos (evolução logo após a infecção), que são os que nos interessam enquanto Vigilância Epidemiológica. Os casos de Chagas crônicos podem ter vindo de outros Estados", justifica.
Moacir Pires Ramos, superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, aponta que os óbitos por tuberculose registrados na cidade no ano passado não fogem à média histórica local. Ele aponta que a Capital têm mais mortes por essa doença porque possui serviços de referência em tratamento de tuberculose e aids, que está associada a 50% dos óbitos por tuberculose. "Por ser esse grande centro, Curitiba atrai pacientes de outras regiões", diz Ramos.
Nessas situações, quando o serviço de saúde na Capital é procurado, as complicações geralmente já estão avançadas, explica o superintendente, o que se reflete nos números de óbitos hospitalares.
Ramos afirma que Curitiba mantém ações específicas para o tratamento de tuberculose, como busca ativa por pessoas que estão com a doença, tratamento diretamente observado e equipes que atendem moradores de rua com a enfermidade. (F.G.)

mockup