Livro analisa consequências do derrame
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domingo, 12 de agosto de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Quem mantém na rotina uma atividade física aeróbica, frutas, verduras e vive longe do cigarro e dos alimentos gordurosos tem menor risco de se deparar com distúrbios vasculares cerebrais, conhecidos como derrames. Estudos comprovam que as doenças cérebro vasculares vêm se tornando cada vez mais frequentes por conta do atual ritmo e hábitos de vida da população e são uma das mais importantes causas de mortalidade entre os brasileiros.
''Suas consequências podem ser catastróficas. Um derrame pode mudar completamente a vida de uma pessoa do dia para a noite. O paciente perde funções neurológicas importantes que comprometem as relações social e profissional'', declarou o presidente da Academia Brasileira de Neurocirurgia, Paulo Henrique Pires de Aguiar, que esteve em Londrina com uma equipe de médicos para lançar o livro ''Tratado de Neurologia Vascular - Princípios básicos, diagnóstico e terapêutica''.
Divididos em dois tipos de problemas vasculares, os derrames têm grande impacto sobre a saúde da população. O mais frequente, considerado o responsável por 80% dos casos, é o acidente vascular cerebral isquêmico (AVC), que tem como principal característica o entupimento da veia. Os acidentes vasculares hemorrágicos (onde entram os aneurismas) são igualmente perigosos e caracterizados pelo sangramento de uma veia do cérebro.
De acordo com Paulo Henrique Pires de Aguiar, é preciso que as pessoas conheçam e fiquem atentas aos sintomas e busquem ajuda médica o quanto antes. O neurologista Marcio Lehmann, também organizador do livro, explicou que mais de 60% dos pacientes apresentam alterações motoras de fala e de funções cerebrais como primeiro sintoma de derrame. ''Diante de qualquer alteração de função dos membros ou de uma forte dor de cabeça deve-se procurar um serviço de emergência. Em caso de derrame, o tratamento deve ser iniciado nas primeiras quatro horas e meia para que seja possível minimizar as sequelas. Em contrapartida o hospital tem que atender'', alertou.
Os médicos disseram que atualmente há uma boa atenção dos órgãos de saúde e das universidades no estudo das doenças cérebro vasculares. Conforme Aguiar, equipamentos de última geração que podem ser usados em diagnósticos ou tratamentos, estão disponíveis aos brasileiros, dependendo dos estados e de investimentos públicos e privados. ''Tanto no campo tecnológico quanto no campo humano está havendo uma melhoria muito grande'', disse.
Apesar do acesso às tecnologias avançadas, Lehmann destacou que é preciso ter cautela na hora de definir o equipamento mais adequado para o tratamento de cada paciente. ''No livro nós fazemos uma crítica a respeito da real necessidade da utilização da tecnologia. Sabemos que o equipamento por si só não é garantia de cura, é importante que ele seja indicado corretamente e usado com prudência'', destacou.
Outro assunto tratado no livro é a respeito do atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde. Os médicos afirmaram que o SUS deve oferecer a mesma tecnologia que o serviço privado de saúde. ''Isso é possível e as pessoas têm que saber que este é um direito delas. A única diferença entre os dois serviços é que no SUS ele deve ser absolutamente gratuito'', disse Aguiar. Os profissionais disseram ser favoráveis a um controle maior do sistema para que os pacientes não sejam prejudicados. ''Cabe a quem milita na neurocirurgia fiscalizar e pressionar a oferta e a dirigência a estes pacientes'', completou Lehmann.
Para ele, além de oferecer um atendimento rápido com equipamentos que permitem evitar ou reduzir as sequelas, quando estes problemas aparecem é preciso disponibilizar um tratamento global para o paciente. ''Quando estamos diante de um paciente sequelado devemos pensar em como poderemos reinserí-lo na vida social ou confortá-lo até o fim da vida'' disse. O médico acrescentou que para isso é necessária intervenção de uma equipe multidisciplinar com psicólogo, fonoaudiólogo, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros profissionais que devem estar à disposição de todos os pacientes, independentemente se são particulares, conveniados ou do SUS.
Além dos neurologistas Paulo Henrique Pires de Aguiar e Marcio Lehmann, o livro tem a participação dos médicos Renata Faria Simm, Ápio Claudio Antunes, Ricardo Ramina e Damácio Ramón Kaimen Maciel.

