Livre-se do mal-estar em viagens
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segunda-feira, 06 de fevereiro de 2012
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Tempo de férias e de relaxar é sinônimo de despreocupação. Com isso surgem também a quebra da rotina, a mudança na alimentação e, principalmente, o esquecimento de atribuições importantes como a ingestão de medicamentos na hora certa ou a moderação no consumo de bebidas alcoolicas. A soma destes fatores pode transformar uma viagem num verdadeiro pesadelo para quem não está muito em dia com a saúde. Especialistas reforçam a importância de ficar atento ao corpo na hora de colocar o pé na estrada e lembram que algumas doenças típicas de viajantes podem ser evitadas com precauções antes do embarque.
O infectologista e especialista em medicina do viajante, Jaime Luiz Lopes Rocha, diz que uma das principais complicações entre aqueles que se submetem a viagens longas é a descompensação de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Depois disso, acidentes como afogamentos, picadas de insetos, entre outros, também são casos recordistas entre famílias que passam as férias no litoral ou em lugares com rios e matas.
A cinetose - doença caracterizada pela sensação de enjoo ao andar em qualquer meio de transporte (avião, navio, carro ou ônibus) - também pode atrapalhar bastante a chegada e a partida dos viajantes. O episódio se torna ainda mais frequente entre aqueles que buscam aproveitar as férias nos famosos e gigantescos cruzeiros, principalmente pela movimentação do navio e o meio líquido presente em todo o momento.
''O problema ocorre quando o corpo está parado e o ambiente está em movimento, gerando conflito de informações e perturbação do equilíbrio corporal. Em algumas pessoas mais sensíveis o cérebro vive uma dificuldade de entender e assimilar quais informações estão corretas, se da visão ou do labirinto'', explica.
Quanto maior o grau de desordem de informação, maiores as sensações de enjoos e vômitos. A dica, segundo o médico, é manter o olhar no horizonte e evitar fazer leituras durante a movimentação do meio de transporte. ''O paciente que sente isso já sabe e precisa procurar um médico antes para que sejam prescritos analgésicos a fim de aliviar essa sensação'', diz Rocha.
Crianças e idosos
Mais sensíveis que os adultos, as crianças normalmente se queixam de dores de cabeça e de ouvido durante viagens longas, principalmente as de avião. No caso dos idosos, o médico reforça a importância de uma avaliação médica antes de viagens de seis a oito horas - principalmente aéreas - para aqueles que sofrem de problemas de circulação.
''Pode haver problemas em voos longos, em especial para aqueles com histórico de trombose no passado, além dos obesos. Crianças pequenas precisam mastigar algo quando o avião estiver subindo porque elas ainda contam com o ouvido menos desenvolvido que os adultos e então acabam sentindo mais a pressão'', afirma.
O especialista alerta sobre os riscos da automedicação, mas reforça a necessidade de se levar medicamentos controlados - para quem faz uso contínuo - nas viagens.
Rocha fala ainda sobre a importância da higiene pessoal, principalmente das mãos, quando se está em lugares diferentes por muito tempo. ''Outro ponto a se destacar é o cuidado com a dengue, uma vez que já há espera de um aumento no número de casos no País durante este verão. A água e os alimentos ingeridos também precisam ser observados com mais cuidado; e a vacina contra hepatite A pode ser importante para aqueles que ainda não foram imunizados'', acrescenta o especialista.

