Linfoma de Hodgkin: 80% dos casos têm cura
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domingo, 11 de agosto de 2013
Michelle Aligleri<br> Reportagem Local 
Em pouco mais de uma semana a enfermeira Fernanda Jorge Giovine, de 33 anos, descobriu um caroço na região do pescoço e foi diagnosticada com Linfoma de Hodgkin, um câncer no sistema linfático. A identificação do tumor se deu no início do mês de julho e, na semana passada, ela enfrentou a primeira sessão de quimioterapia. Segundo especialistas, o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento favorecem a possibilidadea de cura de Fernanda. As estatísticas apontam que a incidência de cura deste câncer é de 80%, um índice elevado se comparado a outros tipos de cânceres.
O médico hematologista Luís Gabriel Fernandes Turkowski explica que este tipo de câncer apresenta uma menor quantidade de células tumorais do que os demais e ele também estimula a multiplicação de células saudáveis. "Isso já faz com que a doença apresente um bom prognóstico", esclarece.
Para ser considerado Linfoma de Hodgkin, a biopsia realizada com material do paciente precisa apontar a presença de uma célula específica, identificada como "Reed Stemberg". Os linfomas que não apresentam esta célula, cerca de 50 tipos, são identificados como Não-Hodgkin. A ausência dela interfere diretamente no tratamento e nas expectativas de cura do paciente.
Além do aparecimento de nódulos, o Linfoma de Hodgkin pode apresentar outros sintomas, mas isso não acontece com todos os pacientes e este foi o caso de Fernanda. "Não tive suor noturno, nem perda de peso ou febre. O que eu apresentava era uma tosse persistente", afirma a enfermeira.
Foi em uma apalpação por acaso no pescoço que Fernanda desconfiou que havia algo errado. "Não sei porque coloquei a mão no pescoço, mas foi isso que me fez sentir os dois caroços que estavam se formando", lembra a enfermeira. Após descobrir os nódulos, Fernanda conta que mostrou o que estava acontecendo para a médica do posto de saúde em que trabalha. "Ela falou para eu procurar um médico hematologista, que solicitou uma biópsia. Na cirurgia, o médico retirou os dois nódulos e, logo após, ele já me deu o diagnóstico. Eu tinha realmente Linfoma de Hodgkin", comenta.
O Linfoma de Hodgkin tem maior incidência entre jovens com idade entre 25 e 30 anos. Nos últimos 50 anos, o número de casos da doença no Brasil permaneceu estável e a mortalidade dos pacientes foi reduzida em 60% desde o início dos anos 70. O médico explica que isso se deve por conta dos avanços no tratamento da doença. Os últimos números apresentados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), são de 2009, naquele ano estimava-se que havia 2.870 novos casos da doença no País.
O hematologista explica que os nódulos aumentados são um sinal de alerta, mas destaca que nem sempre eles são realmente um linfoma. Conforme Turkowski, o tratamento da doença é feito com quimioterapia e os pacientes que apresentam recaída têm a opção de fazer o transplante de medula óssea. "Como o tratamento utilizado é muito bem sucedido, há poucas pesquisas em torno do assunto. Até por conta da idade alvo da doença, a maior parte dos pacientes reage muito bem à quimioterapia", frisa o médico.
Este tipo de câncer não tem fundo genético hereditário, mas as células atingidas podem apresentar uma mutação genética. Há teorias que apontam uma relação da doença com a ação do Epstein Barr, um vírus do tipo da herpes transmitido pela saliva. Mas o médico explica que é difícil confirmar esta relação porque a maioria da população tem contato com este vírus em algum momento da vida e apenas uma porcentagem mínima desenvolve a doença. Como não se sabe as causas exatas do aparecimento deste tipo de linfoma, não há como prevenir o problema.
Segundo Fernanda, a palavra câncer assusta muito, por isso logo que recebeu o diagnóstico ela foi pesquisar a respeito do assunto para tranquilizar familiares e amigos que estavam preocupados. A enfermeira está muito confiante no tratamento e sabe que suas chances de cura são altas. "Eu sei que meu cabelo vai cair e que os seis meses de quimioterapia não serão fáceis, mas entendo que o tratamento é meu aliado e vou encarar tudo da melhor forma", salienta. Para a enfermeira, este é um momento de reflexão e de revisão da própria vida. "Acredito que daqui seis meses terei muitos pensamentos bons e um novo olhar sobre os pacientes. Mesmo já tratando todos da melhor forma possível, tenho certeza que vou voltar melhor para o posto de saúde", complementa.

