Liberdade individual e bem coletivo
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
São Paulo - Diante das quedas sucessivas das taxas de imunização no Brasil, as médicas infectologistas Mônica Levi e Rosana Richtmann destacam a responsabilidade social de quem não se vacina ou deixa de vacinar as crianças. "O sucesso do controle das doenças depende da adesão das coberturas vacinais, então a gente tem que conseguir melhorar a situação da população como um todo", disse Levi.
"Depois da água potável, a imunização é, sem dúvida, a melhor ação de prevenção em saúde pública", ressaltou Richtmann. Mas a vacinação tem que acontecer em massa para que seja eficaz. "Não adianta só individualmente eu me vacinar. Tenho que ter também um ato de responsabilidade. Me proteger para proteger quem eventualmente não pode ser vacinado."
Levi lembrou que as quedas observadas nos últimos anos nos índices de vacinação têm promovido discussões no campo da ética acerca das liberdades individuais em detrimento de benefícios públicos. "Até onde vai o direito de uma liberdade individual de não se vacinar quando você pode prejudicar todo um programa de saúde pública? É um princípio da anteposição da humanidade ao indivíduo", argumentou.
Reforçar a atenção ao calendário de vacinação de adultos, assim como ocorre com o infantil, também contribuiria para aumentar a proteção coletiva. "Vacina não é coisa de criança. A visão de quem lida com a população adulta é um pouco diferente de quem lida com a população pediátrica e talvez seja por isso que a gente tem menor cobertura ainda quando fala em vacinação de adulto e idoso acima de 60 anos", destacou Richtmann.
Segundo ela, tem sido feito um trabalho grande na sociedade para tentar informar os médicos de algumas especialidades, como cardiologistas, endocrinologistas e oncologistas, sobre a importância da imunização de adultos. "Se eu não tiver uma alta cobertura vacinal nas crianças, não adianta tanto ter uma alta cobertura vacinal em pessoas acima de 60 anos."
Cada categoria tem o seu papel no processo de informação e conscientização, observou Richtmann. "Os médicos devem orientar, o governo é responsável por fornecer a vacina que, quando inserida no calendário, deve estar disponível nas unidades de saúde, e o Instituto Butantan tem que fabricar a vacina em tempo hábil." (S.S.)

