Lesões oculares provocadas pelo zika são mais agressivas
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Kleber Nunes<br> Folhapress 
Recife - Além da microcefalia, o vírus zika provoca lesões oculares mais graves do que em outras doenças, causando danos irreversíveis à visão. A conclusão é de um grupo de médicos especialistas, que participou na semana passada de uma avaliação de 55 crianças pernambucanas com suspeita de microcefalia. O trabalho faz parte de um estudo inédito realizado por médicos da Fundação Altino Ventura (FAV), no Recife (PE), em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "São problemas semelhantes aos causados por outros vírus, como sífilis, rubéola e citomegalovírus. No caso do zika tanto as 'cicatrizes' quanto os casos de pigmentação são muito mais agressivas do que as outras alterações já conhecidas na literatura", afirma Camila Ventura, oftalmologista e coordenadora da pesquisa.
A pesquisa, fruto do desenvolvimento de uma tese de doutorado, foi publicada, no sia 8 de janeiro, na revista científica britânica Lancet, uma das mais conceituadas na área. O trabalho brasileiro identificou que o vírus zika é capaz de provocar quatro tipos de lesão em quatro regiões distintas do globo ocular. Além da mácula (área central da retina) e a coroide, que é responsável pela nutrição do olho, o agente infeccioso pode comprometer a retina e o nervo óptico.
Dos 50 bebês analisados, em 40 foram confirmadas a microcefalia, de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS). "Vimos que, desses 40 bebês, de 30% a 40% apresentaram algum desses problemas. É uma porcentagem alta, para se ter ideia temos um caso, por ano, de lesão ocular causado pela presença de rubéola", diz a presidente da FAV, Liana Ventura.
O professor da Unifesp e orientador da tese, Maurício Maia, explica que essa primeira fase da pesquisa se preocupou em avaliar os danos causados pelo zika na anatomia do olho. "Ainda estamos buscando saber o real impacto na qualidade visual do paciente. Mas acredito que, no caso de uma atrofia na mácula, por exemplo, essa criança não tenha mais do que 3% da visão", afirma. Para Maia, o que deve ser feito é um estímulo "mais precoce possível" da visão dessas crianças. "É preciso estimular as áreas ao redor do centro do olho para que também capte as imagens. Em alguns casos poderá ser preciso usar óculos que ajudem nesse desvio da captação", diz.

