Ledterapia: uma perspectiva terapêutica
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2015
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Um recurso terapêutico barato que pode ser uma grande promessa para a medicina. É com esse otimismo que o LED (diodo emissor de luz) vem sendo encarado por pesquisadores em Londrina. Desde os primeiros trabalhos científicos sobre a resposta celular às fontes emissoras de luz, na década de 1980, o tema tem sido foco de estudos pelo País.
Algumas pesquisas já apontam que a luz tem efeitos biológicos e terapêuticos. Sendo assim, poderá se firmar em um futuro próximo, como alternativa a alguns tratamentos convencionais. Essa afirmação é de um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que há oito anos se dedica à ledterapia.
Com uma linha voltada aos efeitos anti-inflamatórios, pró-cicatrizantes, regenerativos e preventivos da luz, o grupo de estudantes e docentes das áreas de Fisioterapia, Enfermagem, Educação Física e Odontologia realizam um trabalho pioneiro no município e na própria universidade.
A professora do Departamento de Histologia, Solange de Paula Ramos, que integra o Grupo de Estudos em Regeneração, Adaptação e Reparo Tecidual explica que a faixa de luz pode promover algumas alterações celulares específicas.
"O comprimento de onda que utilizamos, na faixa do vermelho ao infravermelho, é absorvido pela célula que passa a produzir mais energia. Com isso, ela consegue proliferar, produzir mais proteínas e diminuir a inflamação. Quando o tecido é mais oxigenado sofre um processo de reparo e regeneração mais rápido", explica.
Na Odontologia, as pesquisas avançam no que se refere à cicatrização de herpes, aftas e feridas cirúrgicas, prevenções de lesões, reparo dos tecidos gengivais e ósseos. Já nas áreas de Fisioterapia e Enfermagem, há estudos em andamento com úlceras.
REGENERAÇÃO
"É um tratamento adjuvante e que pode ser promissor para pacientes hipertensos e diabéticos que têm úlceras de membros inferiores, difíceis de serem tratadas", afirma. Quanto à regeneração nervosa, Solange comenta que um experimento com ratos apontou resultados impressionantes.
"No animal, a regeneração espontânea ocorre em 28 dias, tempo que eles levam para começar a andar após a lesão nervosa. Com a fototerapia (terapia baseada em luz), os roedores andaram após sete dias. Agora imagine um paciente com lesão nervosa que demorará meses para cicatrizar. Se a fisioterapia puder ser associada com a fototerapia, provavelmente ele sentirá menos dor e terá uma recuperação funcional muito melhor", defende.
PARÂMETROS
Ainda de acordo com Solange, a ledterapia já é utilizada comercialmente para o controle de dor e cicatrização, mas nas demais aplicações, inclusive na área esportiva, os estudos seguem em andamento.
Para que a técnica efetivamente atenda à população, o físico Ivan F. L. Dias, um dos precursores do grupo de pesquisa, salienta que há parâmetros a serem esclarecidos. "Estamos tratando de seres vivos, portanto quando se joga uma quantidade de energia luminosa no indivíduo, além dos parâmetros de luz, como comprimento da onda e frequência, é preciso considerar o sistema biológico, como a idade, o estado psicológico e a profundidade com que essa luz está atingindo o local", completa.
Além disso, é preciso estipular a dose e a concentração. "Que a luz tem efeitos biológicos, nós já sabemos. Precisamos descobrir quantas vezes a pessoa irá utilizar esta terapia, por quantas horas e por quanto tempo. Considerando tudo isso, incluindo os diversos tecidos de aplicação e as condições biológicas do paciente, é que seguimos tentando formar um protocolo", completa Solange.
CARACTERÍSTICAS
A diferença entre ledterapia e a laserterapia está na forma como a luz é gerada. O físico Dari Toginho Filho explica que enquanto o feixe de laser é concentrado, o de LED tem uma dispersão maior sobre a pele e é mais barata. "Tem um LED infravermelho, por exemplo, que custa R$ 0,10. Além disso, a lâmpada pode durar até 50 mil horas se usada corretamente", diz.
Até o momento, os pesquisadores não descobriram nenhuma contraindicação da ledterapia, exceto em casos de tumores, por facilitar o processo de proliferação celular. Porém, Solange adianta que o comprimento de onda terapêutico "não provoca dano celular, não é cancerígeno e não queima".
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