Laqueaduras triplicam em dez anos
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domingo, 28 de julho de 2013
Michelle Aligleri<br> Reportagem Local 
Muitas mulheres optam nos dias de hoje por não ter filhos, outras, que já são mães, querem uma solução radical para não engravidar mais. O método contraceptivo que elas mais buscam no mundo é a esterilização definitiva. Pesquisas apontam que o número de brasileiras que escolhem a laqueadura como solução vem aumentando ano a ano. O procedimento consiste em cortar e amarrar as trompas para impedir o encontro dos espermatozoides com o óvulo. Segundo o Ministério da Saúde (MS), em 2003 foram realizadas 31,2 mil laqueaduras pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e em 2011 o número de procedimentos pulou para 62,3 mil. Hoje, a cada ano, cerca de 95 mil mulheres realizam esta cirurgia para evitar filhos.
Levantamentos da Saúde mostram ainda que no período de 2008 a fevereiro de 2012, o Estado de São Paulo foi o que mais realizou laqueaduras: em quatro anos registrou 77,1 mil procedimentos. Minas Gerais ficou em segundo lugar com 24,7 mil. O Ceará figurou em terceira posição com 18,8 mil laqueaduras. Em quarto lugar, se posicionou o Paraná com 16,4 mil cirurgias do gênero. No mesmo período, foram realizadas no Brasil 251,2 mil procedimentos de laqueadura.
Segundo a legislação brasileira, a cirurgia só pode ser realizada em mulheres com mais de 25 anos ou que tenham pelo menos dois filhos nascidos vivos, ou ainda que possuam doença capaz de provocar riscos à sua saúde ou à de um futuro bebê. Outra exigência é que a laqueadura seja realizada pelo menos 60 dias após a tomada da decisão. Durante este período, estas mulheres recebem informações sobre as vantagens e desvantagens do método quase totalmente irreversível, os riscos do procedimento, e outras formas de anticoncepção não definitiva.
As mulheres que decidem fazer a laqueadura contam hoje com três formas possíveis de se fazer o procedimento. A primeira e mais antiga é feita por um corte semelhante ao realizado na cesária. A paciente precisa ser submetida a anestesia geral ou raquidiana, e após a cirurgia precisa ficar de licença durante cerca de dez dias para total recuperação.
A técnica de videolaparoscopia também possibilita a realização da laqueadura e tem algumas vantagens em relação ao método tradicional. Por conta das incisões serem menores, os riscos de infecções são reduzidos, mas a desvantagem é que a mulher precisa ser submetida a anestesia geral para que o procedimento seja realizado.
Para pacientes com problemas de saúde que têm contraindicação de anestesia geral, há uma técnica que possibilita fazer a laqueadura sem cortes, como explica o médico ginecologista e obstetra Gustavo Eduardo Vitorino. É utilizado um equipamento chamado histeroscópio, pelo qual é introduzido pela vagina uma pequena câmera até o colo do útero. Este aparelho possibilita colocar em cada trompa uma pequena mola que após três meses obstrui totalmente a trompa e a passagem dos espermatozoides, explica. Conforme o médico, o procedimento pode ser feito no próprio consultório e dispensa a anestesia (leia mais nesta página).
O histeroscópio é um equipamento usado para realizar exames e diagnósticos no interior do útero há muito tempo, mas a técnica que utiliza o aparelho para fazer a laqueadura tem aproximadamente dez anos e é realizada há cinco anos no Brasil.

