As hepatites virais seguem como um importante desafio para a saúde pública, apesar dos avanços registrados nos últimos anos. Durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a importância da prevenção, da vacinação, da testagem e do tratamento precoce para reduzir complicações e interromper a transmissão.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 304 milhões de pessoas vivem com infecção crônica pelos vírus das hepatites B ou C em todo o mundo. Em 2022, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas morreram em decorrência dessas infecções, sendo 83% dos óbitos relacionados à hepatite B e 17% à hepatite C.

No Brasil, entre 2000 e 2024, foram notificados 826.292 casos confirmados de hepatites virais. Desse total, 41,5% correspondem à hepatite C e 36,6% à hepatite B.

No Paraná, a mortalidade apresentou queda na última década. Entre 2014 e 2024, os óbitos por hepatite C passaram de 111 para 27, redução de 75,7%. No mesmo período, as mortes por hepatite B diminuíram de 37 para 29, uma queda de 21,6%.

Apesar dos avanços, Flávia Meneguetti Pieri, enfermeira, docente do Departamento de Enfermagem da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e pesquisadora em doenças infecciosas e hepatites virais, afirma que o diagnóstico ainda representa um dos principais desafios.

"A principal preocupação é que as hepatites B e C podem permanecer por décadas sem apresentar sinais ou sintomas. Muitas pessoas descobrem a infecção apenas quando já apresentam comprometimento avançado do fígado. Por isso, o diagnóstico precoce é uma das estratégias mais importantes para evitar complicações e interromper a transmissão", afirma.

Ela destaca que o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece atendimento em todas as etapas do cuidado, desde a prevenção até o tratamento especializado.

"São realizadas ações de prevenção, vacinação, aconselhamento, testagem rápida e encaminhamento quando necessário. Após o diagnóstico, o paciente é inserido em uma rede organizada de cuidado, que inclui exames complementares, avaliação clínica, acompanhamento laboratorial e tratamento especializado", explica.

A pesquisadora lembra que a hepatite B pode ser prevenida por meio da vacinação, disponível gratuitamente no SUS (Sistema Único de Saúde) para todas as faixas etárias. Já a hepatite C não possui vacina, mas conta com tratamento altamente eficaz.

"O tratamento com antivirais de ação direta alcança taxas de cura superiores a 95% e é oferecido gratuitamente pelo sistema público de saúde", ressalta.

Segundo Flávia, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade às hepatites virais e devem ser priorizados nas ações de prevenção e testagem. Entre eles estão pessoas com histórico de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), população em situação de rua, usuários de drogas, pessoas privadas de liberdade, pacientes em terapia renal substitutiva, indivíduos que receberam transfusão de sangue antes de 1993 e aqueles que compartilham ou compartilharam objetos perfurocortantes.

Ainda assim, ela recomenda que a testagem seja realizada por toda a população adulta.

"Todo adulto deve realizar o teste para hepatites virais pelo menos uma vez na vida. Neste Julho Amarelo, a principal mensagem é simples: procure uma UBS, atualize sua vacinação contra a hepatite B e realize os testes para as hepatites virais. Hoje temos condições de prevenir as hepatites A e B, curar a hepatite C e evitar milhares de mortes. O diagnóstico precoce continua sendo a ferramenta mais importante para alcançar a meta de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030", reforça Flávia Pieri.

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