Jovem - 22 anos -, prestes a concluir a faculdade de Direito e com planos de se casar. Esta era a realidade de Vinicius Gimenez Rosa em novembro do ano passado, quando sofreu traumatismo crânioencefálico grave muito próximo de levá-lo à morte cerebral. O diagnóstico demandou procedimentos cirúrgicos delicados. Foi então que o avanço da neurocirurgia contribuiu para uma recuperação quase milagrosa. O jovem passou por uma craniectomia descompressiva e foi o primeiro paciente de Londrina a receber uma prótese com material derivado da mamona.
Desenvolvida no Brasil, a síntese do material garante uma integração perfeita ao osso do paciente, além de moldar esteticamente melhor que as próteses comuns. Hoje, quase três meses depois do acidente e há 30 dias da fixação do material em seu crânio, Rosa celebra não só a recuperação, mas a vida que poderá desfrutar daqui para a frente sem nenhuma sequela grave.
O neurocirurgião do Hospital do Coração de Londrina, Luiz Henrique Garcia Lopes, responsável pelos procedimentos, explica que a craniectomia descompressiva é uma cirurgia comum, porém, realizada somente em casos de extrema gravidade quando os médicos precisam cortar parte da calota craniana para aliviar o aumento da pressão do cérebro. No caso de Rosa, também foi preciso drenar um hematoma devido ao impacto do ferimento quando foi atingido por um pedaço de reboco que se desprendeu do teto da faculdade onde ele estudava, em Rolândia.
A novidade está no tipo da prótese utilizada para reconstruir o crânio e a maneira como ela foi produzida. ''Existem vários tipos de materiais, mas eles não se integram ao osso. Se você abrir a cabeça da pessoa 50 anos depois da cirurgia, aquele material vai estar no mesmo local fixado, mas não vai estar integrado. Esse material que usamos é uma prótese feita de um produto derivado da mamona, uma tecnologia totalmente brasileira que até recebeu a certificação do Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, comprovando que é um material excelente. Além dele se integrar totalmente aos ossos do paciente, o tipo do material é semelhante ao osso, apresenta bioatividade, ou seja, permite a formação óssea com o passar do tempo'', diz.
A falha no crânio de Rosa que precisou ser recuperada pela prótese tinha cerca de 13 centímetros por nove de diâmetro. Ainda segundo o médico, os materiais convencionais para a reparação do osso são de secagem rápida e precisam ser moldados pelo próprio cirurgião diretamente no crânio do paciente no momento da cirurgia. Isso, além de prolongar mais o tempo do procedimento cirúrgico, nem sempre garante boa estética para o paciente. ''Neste caso, a prótese já veio pronta, agilizando a cirurgia e proporcionando tantos outros benefícios como a própria integração ao osso'', afirma Lopes.
Prototipagem
Os médicos que operaram Rosa contaram com uma tecnologia que permite a construção de modelos físicos por meio de imagens computadorizadas. Através de imagens da tomografia, foi criado um modelo digital tridimensional (3D) do crânio. Este modelo passa por uma restauração de acordo com suas especificações apresentadas pelo cirurgião e então é gerada a prótese.
A matéria-prima utilizada para refazer o crânio de Rosa é um polímero - material semelhante ao plástico -, que tem como base o óleo de mamona. A síntese do material tem alta capacidade de interação com as células do corpo humano e, de acordo com o médico, até hoje nunca houve relatos de rejeição. O produto foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP). Desde 2003 o material é certificado pela FDA e tem sido utilizado em vítimas de acidentes com armas, carros, motos e de tumores. Segundo o médico, as próteses podem ser utilizadas para substituir ossos nas mandíbulas, crânio, face ou coluna cervical.

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