Como as pessoas estão vivendo mais, é fato que as doenças relacionadas ao envelhecimento apresentam maior incidência. Entre elas, a doença de Alzheimer é a que mais se destaca. De acordo com a coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia, Sonia Maria Dozzi Brucki, as últimas pesquisas apontam que entre 7% e 8% dos indivíduos com mais de 65 anos tem algum quadro de demência. ''Desta porcentagem, entre 55 e 70% das pessoas tem Alzheimer. Devemos ter no Brasil cerca de um milhão de pessoas com a doença de Alzheimer'', ressalta.
Sonia afirma que um grande número de trabalhos científicos realizados nos últimos anos trouxeram uma mudança de conceito a respeito da doença. ''Descobriu-se que há um estágio antes do quadro de demência em que a pessoa já possui comprometimento cognitivo. Tanto o paciente com a doença quanto aqueles com o comprometimento leve já apresentam alteração nos testes de linguagem e outras funções'', ressalta.
Outras pesquisas identificaram biomarcadores, proteínas do organismo que estão ligadas ao aparecimento da doença. ''Durante os exames de imagem mais avançados nós fazemos a dosagem de duas proteínas que ajudam a identificar as ®MDBO ®MDNM alterações e o metabolismo cerebral'', explica. Esta seria uma tentativa de antecipar o diagnóstico.
O maior desafio das equipes de saúde ainda é fazer o diagnóstico precoce. Uma das dificuldades é porque as famílias procuram ajuda tardiamente. Em alguns casos, os próprios médicos não dão a atenção correta. ''Muitas pessoas acham que os esquecimentos são normais da idade. Este conceito existe até mesmo entre alguns médicos. Nas consultas de rotina não há perguntas direcionadas para identificar se a pessoa tem algum problema de memória. Este tipo de abordagem não faz parte da consulta, mas deveria fazer'', destaca.
A neurologista ressalta que as queixas cognitivas devem chamar atenção dos profissionais de saúde. ''Quando um familiar ou o próprio paciente acha que alguma coisa está diferente na sua capacidade de raciocínio, de memorização, se a pessoa está sentindo mais dificuldade em lidar com programas de computador, ou de fazer coisas que fazia anteriormente, é preciso investigar'', alerta. ''O melhor padrão para o paciente é fazer uma comparação consigo mesmo alguns anos antes'', complementa.
A médica neuropsiquiatra Ana Carolina Congio lembra que uma das maiores dificuldades é quando o paciente chega ao consultório num estágio muito avançado da doença. ''O Alzheimer é progressivo, a medicação não é curativa e não devolve as habilidades que foram perdidas, mas reduz a velocidade do desenvolvimento'', destaca.
O início mais frequente deste tipo de demência acontece após os 65 anos. Pesquisas apontam que nos Estados Unidos a doença atinge 1% das pessoas com mais de 60 anos e entre 26% e 45% da população com mais de 85 anos. ''Consideramos precoce quando o Alzheimer aparece nas pessoas com menos de 65 anos. Neste caso geralmente ele está ligado a uma influência genética importante e a pessoa deve ter familiares que apresentam ou apresentaram o problema'', ressalta Ana Carolina.
O diagnóstico é basicamente clínico e é confirmado apenas com a realização de uma necrópsia do cérebro. No entanto, exames e testes ajudam a identificar a doença em vida. ''Após o diagnóstico iniciamos o tratamento para desacelerar a doença. O paciente pode apresentar outros sintomas que precisam ser tratados paralelamente, como agressividade, inquietude, alterações do sono, entre outros'', enumera a médica.

Serviço:
A Associação Brasileira de Alzheimer oferece orientações e tira dúvidas sobre a doença pelo telefone 0800-551906.

Imagem ilustrativa da imagem Índices de demência devem receber mais atenção
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