Imunização protege bebês de vírus agressivo
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domingo, 10 de julho de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local <br> 
A chegada do frio leva muitas pessoas às clínicas de imunização ou unidades básicas de saúde em busca de vacinas que possam combater doenças como a gripe comum ou até mesmo a mais agressiva, H1N1. O que não se fala muito é sobre o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que circula em todas as regiões do Brasil entre os meses de março a setembro e é a maior causa de internações entre recém-nascidos. Uma grande arma para conter as infecções por VSR é a prevenção por meio da imunização passiva com a utilização do palivizumabe, um anticorpo que interrompe o processo de reprodução do VSR.
''O palivizumabe não é uma vacina, é um anticorpo monoclonal diferente da vacina e deve ser administrado por via intramuscular a cada 30 dias nos meses da estação do VSR, que no Brasil ocorre durante o outono e o inverno. São necessárias cinco doses (uma por mês), para assegurar a proteção. O custo é elevado, portanto as recomendações são para utilização somente em crianças de risco como prematuros nascidos com menos de 28 semanas de gestação, cardiopatas e crianças com displasia broncopulmonar nos primeiros 2 anos de vida'', explica a pediatra e coordenadora da UTI neonatal do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Ligia Lopes Ferrari.
Segundo a pediatra, o VSR também pode ter efeitos a longo prazo nas crianças infectadas e está comprovado que ele pode aumentar em quatro vezes as chances de aparecimento de asma na adolescência. Dados estatísticos apontam que até completarem um ano, quase dois terços das crianças serão infectadas pelo VSR, que é mais grave ainda nos bebês prematuros que não possuem os sistemas respiratório e imunológico completamente desenvolvidos. Ligia explica que as infecções do trato respiratório pelo vírus constituem uma das patologias mais frequentes nos primeiros meses de vida.
Alto custo
A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações recomendam a aplicação de palivizumabe antes da estação do VSR para que as crianças de risco atinjam níveis suficientes de concentração de anticorpos no sangue. Aprovado pelo FDA, o produto recebeu a chancela da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 1999 mas ainda não é distribuído gratuitamente em todos os estados brasileiros.
''O uso do palivizumabe foi aprovado para padronização na Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (Sesa) para as crianças de risco. A Sesa está finalizando o fluxograma para solicitação da medicação e os formulários adequados e provavelmente a dispensação da medicação será pelos Centros de Referência de Imunobiológicos do Estado. Não há necessidade de administrar a medicação para crianças que não se encaixam no grupo de risco'', reforça Ligia.
Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul já disponibilizam a medicação. Devido ao alto custo, não há o medicamento disponível em Londrina, mas ele pode ser solicitado em clínicas particulares de vacinação de acordo com a prescrição do pediatra.
Riscos
O VSR é assintomático e facilmente transmissível pelo ar e por contato. Existem também outras medidas de prevenção como lavar as mãos, lavar os brinquedos das crianças, não colocá-las em contato com pessoas gripadas, etc. O vírus pode provocar desde coriza, febre baixa, chiado no peito e falta de ar, além de infecções mais graves das vias respiratórias que levam a internações e complicações.

