''O visitante precisa ter em mente que hospital não é lugar de passeio. Só deve entrar num estabelecimento assim quem realmente precisa estar junto de um paciente''. A orientação é da médica coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Universitário, Cláudia Carrilho. Segundo ela, ao visitar um doente a pessoa deve se restringir àquele leito, evitar tocar no paciente e não passar pelas demais camas cumprimentando os outros pacientes.
A médica afirma que a maior dificuldade no controle das bactérias nos hospitais públicos é a limitação de recursos humanos. Ela destaca que a precariedade interfere na qualidade do serviço que chega a ser comprometida. Conforme Cláudia, as vezes não dá tempo de fazer uma desinfecção adequada dos leitos. ''Por outro lado, como a equipe da limpeza sabe que o número de funcionários é reduzido neste setor, eles acabam aderindo melhor às normas adequadas de higienização'', destaca.
No Hospital Universitário em especial, a coordenadora afirmou que um dos maiores problemas está na própria estrutura. ''Temos unidades de internação com seis pacientes em um único quarto sem banheiro e nem pia. Se algum destes pacientes tiver uma bactéria perigosa, fatalmente outro acabará se contaminando. Neste caso criamos isolamentos, mas para proteger os pacientes perdemos alguns leitos, que fazem falta no hospital'', ressalta a médica. Para Cláudia, tanto a demanda de pacientes quanto o fluxo de pessoas nos hospitais dificulta este controle.
É natural que todos os hospitais tenham um índice de infecção hospitalar, já que todo atendimento à saúde apresenta um risco inerente de infecção, por isso a função da Comissão de Controle à Infecção Hospitalar é fazer com que todos sigam as normas. ''Com um bom trabalho podemos conseguir taxas aceitáveis'', afirma. Cláudia critica o fato de no Brasil não haver uma política de divulgação dos níveis de infecção. ''Nós fazemos levantamentos e passamos os dados para o município, os números seguem para o estado mas nós não temos retorno disso. Não sabemos se nossos índices estão altos, baixos ou dentro do limite adequado'', salienta.
Qualquer infecção (menos as provocadas por bactérias encubadas) que o paciente desenvolva após a sua entrada no hospital, é considerada Infeção Relacionada a Assistência à Saúde (Iras). As infecções que aparecem nas 48 horas seguintes à alta hospitalar, aquelas identificadas até 30 dias após uma cirurgia ou até um ano após a colocação de uma prótese também são consideradas de origem hospitalar. (M.A.)

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