Hospital em Londrina tem projeto inédito em saúde bucal
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domingo, 04 de março de 2012
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Um trabalho inovador típico de países de primeiro mundo está há pelo menos um ano sendo realizado no Hospital da Zona Sul (HZS) em Londrina. O projeto - Inserção da Odontologia Hospitalar nos Hospitais Estaduais do Paraná - difunde a necessidade da saúde bucal como meio de prevenção de doenças cardíacas, respiratórias, entre outras e atua no tratamento destas doenças. Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que passam pelo HZS - em especial as crianças - recebem orientação e encaminhamento para tratamento odontológico quando necessário. O objetivo é diminuir o tempo de internação de alguns pacientes, além de evitar problemas que podem se agravar quando não há um cuidado especial com a boca.
A odontóloga Diana Florência Gonçalves de Sousa Abussafi, idealizadora e responsável pelo projeto, explica que em pacientes internados, a falta de cuidados bucais pode prolongar de sete a 30 dias o tempo de permanência hospitalar. Ela cita o exemplo da xerostomia (secura excessiva da boca) que é uma das reações adversas mais comuns em pacientes internados, onde a falta de saliva acarreta dificuldades de deglutição (engolir), sensação de queimação na boca, além de outros problemas digestivos e falta de apetite. ''Os cuidados com a higiene oral envolve uma observação precoce de lesões, infecções, distúrbios salivares. Em caso de internamento hospitalar, esses cuidados devem ser mais intensificados'', diz.
De acordo com Diana, estudos comprovam a necessidade de que se veja a boca como parte integrante do corpo. Em países mais desenvolvidos existe uma inclusão natural da importância do odontólogo nos hospitais. Apesar disso parecer meio óbvio, Diana explica que na prática, no Brasil, isso ainda é muito recente. ''Ainda há a necessidade do atendimento em leito dos pacientes internados que necessitam de saúde oral para melhora do quadro geral de saúde. A cultura que se tem no meio médico é de que qualquer acometimento bucal sara sozinho e em casa e de que a saúde bucal, ou a falta dela, nada tem haver com a saúde geral do indivíduo, o que é um engano'', destaca.
Romanos, gregos e egípcios já relacionavam a saúde da boca com o bem estar geral dos indivíduos. Para deentista, a população tem que ter conhecimento da associação entre algumas doenças com a cavidade oral. Segundo ela, é muito comum encontrar nos hospitais pacientes com diversos problemas relacionados à saúde da boca, principalmente porque, os maiores níveis e diversidade de microorganismos do corpo estão na cavidade oral (cerca de 600 tipos).
''As infecções podem tomar a corrente sanguínea e assim se disseminar rapidamente pelo corpo. Portadores de problemas cardíacos, especialmente valvopatias, devem ter absoluto cuidado no intuito de prevenir a endocardite bacteriana. Pessoas com lesões dolorosas ou não, que permanecem por mais de dez dias, dores de ouvido recorrentes, pneumonias recorrentes, cáries e sangramento da gengiva, precisam buscar ajuda de um dentista ou médico de sua confiança''.
O coordenador de saúde bucal da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Leo Kriger, considera o trabalho realizado em Londrina, inovador. Segundo ele, somente alguns hospitais da iniciativa privada realizam algo parecido e por isso, está disposto a apoiar o projeto contribuindo com mais recursos para sua continuidade. ''É um trabalho pioneiro e excelente. Vamos tomar conhecimento dele na sua integralidade para que possamos ajudar no que for preciso no sentido de que continue sendo realizado ainda com mais recursos'', promete.



