Tratar cada indivíduo com suas peculiaridades. Este é um dos objetivos da homeopatia, método de tratamento criado no século XVIII pelo médico alemão Samuel Hahnemann. O Dia Nacional da Homeopatia - comemorado hoje - marca o período em que o tratamento foi disseminado no Brasil, no ano de 1840. Desde então, a alternativa utilizada por profissionais da saúde tem contribuído com a cura e melhoria dos mais variados problemas. Para o transtorno e déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), por exemplo, o método tem apresentado resultados animadores e ajudado a tratar crianças portadoras da patologia, que atinge hoje cerca de 5% da população infantil.
A médica pediatra e especialista em homeopatia Rosana Mara Ceribelli Nechar explica que o tratamento homeopático tem princípios que ultrapassam a abrangência biológica na proposta de tratar cada indivíduo em sua singularidade. Ela lembra que o remédio homeopático é submetido às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e trata-se de uma informação que auto-organiza o sistema orgânico por inteiro ou em partes.
''Vemos hoje em dia muitas crianças que não têm o TDAH ainda confirmado já tomando medicamentos em excesso. Isso é um risco muito grande. Precisamos ficar atentos quanto ao diagnóstico correto que seguem critérios importantes que precisam ser observados'', aponta.
O TDAH é um transtorno mental caracterizado por desatenção, impulsividade e hiperatividade. Estes sintomas ocorrem associados a outros distúrbios emocionais, de inadaptação social da criança, assim como problemas de rendimento escolar. De acordo com a médica, os elementos principais de diferenciação são a presença (ou não) da hiperatividade e impulsividade.
Em Londrina, pacientes têm sido encaminhados para tratamento homeopático por pediatras, psicólogos ou professores para atendimento no ambulatório-escola do Curso de Especialização em Homeopatia de Londrina (CEHL), promovido pela Associação Opção Pelo Semelhante (AOPS). ''As causas do TDAH são desconhecidas e há várias teorias especulativas que imputam como causadores desde os fatores hereditários até os efeitos da alta velocidade das transformações no mundo em que vivemos. Sabe-se que o TDAH é mais comum em famílias de pais solteiros ou separados'', destaca Rosana.

Incidência

Dados estatísticos da Sociedade Americana de Psiquiatria Infantil apontam que o TDAH está presente em 3% a 5% do público infantil. Nos últimos anos houve uma explosão no número de crianças diagnosticadas e tratadas como hiperativas e com déficit de atenção. Para Rosana Nechar, isso se dá, provavelmente, como consequência da maior divulgação da doença. A médica afirma, no entanto, que isso tem levado a repercussões indesejáveis, como por exemplo, o uso inadequado e exagerado de medicamentos em pessoas com comportamentos que fogem ao padrão considerado normal.
A grande inquietação que esta classificação provoca - já que passa por critérios subjetivos de análise e de avaliação - é a possibilidade de serem colocados sob o rótulo de ''doentes'' ou ''anormais'' os adolescentes ou crianças ativas que possuem características de comportamentos apropriados à idade.
Segundo a médica, também correm esse risco os adolescentes e crianças que apresentam traços de personalidade mais acentuados e visíveis: os mais sonhadores, os mais introspectivos, os mais inquietos, os mais ansiosos, enfim, o rico e variado conjunto de respostas e reações dos seres humanos, em intensidade e diversidade, nas diversas etapas do desenvolvimento.
''A homeopatia é uma das especialidades médicas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina desde 1980. Tem como proposta a abordagem sistêmica e integral dos indivíduos, estimulando a autorregulação e a auto-organização da saúde através do medicamento homeopático. Por esse motivo, costumamos dizer que a homeopatia trata o doente com as suas doenças, e não apenas as doenças de forma isolada'', contextualiza Rosana Nechar.

mockup