"Já tive pacientes, amigos e familiares com herpes-zóster e foi um sofrimento." A afirmação da fisioterapeuta Vania Correia e Silva vai além de um alerta. Com esses exemplos tão próximos, aliada à importância que a doença demanda, ela resolveu tomar a vacina como forma de prevenção.
Assim como Vania, muitos homens e mulheres despertaram para a prevenção, após a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) lançar no mês passado, uma campanha educativa sobre o herpes-zóster.
A doença ainda é desconhecida pela maioria da população, apesar de 95% das pessoas carregarem o vírus. No entanto, nem todos vão apresentar a doença. Estima-se que 30% da população terá zóster ao longo da vida, podendo ocorrer em vários episódios.
Dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) mostram ainda que essa estimativa pode chegar a 50% entre os indivíduos que atingem 85 anos de idade.
"Ninguém pega o zóster. Quem teve catapora (varicela) adquire o vírus e as partículas desse vírus ficam dormentes nos nervos, principalmente nos espinhais e cranianos. Ao atingir 50 anos, começamos a sofrer um processo de imunosenescência (envelhecimento do sistema imunológico) e, então, as lesões podem aparecer", explica o geriatra Rubens de Fraga Junior, conselheiro da SBGG.
Ele lembra, entretanto, que o zóster é diferente do herpes labial ou genital. "São da mesma família, mas o zóster está ligado apenas à varicela", completa. Conhecido popularmente como cobreiro, o zóster causa lesões na pele semelhantes a bolhas e pode estar associado a fortes dores. Também pode ocorrer ardência e perda de sensibilidade na região atingida.

SINTOMAS
Normalmente, o zóster se manifesta em apenas um lado do corpo, com destaque para as regiões do tórax, abdômen e rosto. Em um quadro agudo, pode provocar dor crônica, a chamada nevralgia pós-herpética, que pode persistir por meses e até anos.
De 10% a 25% dos pacientes ainda podem ter comprometimento ocular com complicações, como ceratite, úlcera de córnea, queda da pálpebra e até perda visual significativa. "No início dos sintomas, muitas pessoas recorrem às benzedeiras e receitas caseiras, mas nada disso é indicado porque pode aumentar o risco de complicações. A recomendação é procurar um médico", sustenta.
Se o tratamento, que consiste basicamente no uso de medicamentos como antivirais e analgésicos, for iniciado nas primeiras 72 horas, as chances de complicações são reduzidas. No Brasil, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, a cada ano são registradas cerca de 10 mil internações causadas por complicações do vírus.

PREVENÇÃO
Há pouco mais de um ano, a Anvisa liberou a vacina preventiva contra o vírus varicela-zóster no Brasil. Na Clínica de Vacinação da Unimed em Londrina, por exemplo, entre os meses de maio e junho houve um aumento na procura de 87,5% pela vacina.
"Ela estimula o nosso sistema imunológico a produzir anticorpos contra o vírus da varicela, o que diminui o risco da doença reativar", comenta o infectologista Wilson Liuti Costa Junior, ao ressaltar a indicação a partir dos 50 anos.
A aplicação é subcutânea, e mesmo quem já teve herpes-zóster pode tomar a vacina, que tem dose única. A contraindicação é para pacientes imunodeprimidos ou aqueles que apresentam reação alérgica grave. A vacina está disponível na rede privada de saúde, a um custo aproximado de R$ 400.
"A divulgação do zóster é importante porque ela pode comprometer a qualidade de vida dos idosos. A pessoa com dor tem dificuldade até mesmo para executar simples tarefas, como pentear o cabelo", reforça o geriatra.

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