Hábitos diários e incontinência urinária
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domingo, 27 de março de 2016
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Um número alarmante e pouca informação. Falar sobre incontinência urinária (perda involuntária de urina) é envolver quase 10 milhões de brasileiros em um universo de dúvidas e constrangimento.
Mas essa realidade pode ser transformada. No último dia 14, Dia Mundial da Incontinência Urinária (I.U), especialistas e sociedade em geral participaram de ações de conscientização sobre o problema, que é apontado pela Associação Brasileira de Fisioterapia Pélvica (ABFP) como uma das novas epidemias do século 21.
Tão importante quanto esclarecer sintomas e tratamento é apontar fatores de risco que nem sempre estão relacionados à idade. É o que revelam estudos apontados pela fisioterapeuta londrinense Débora Beckner, mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Reeducação da Postura e Períneo.
Ela explica que há três tipos de I.U, sendo a de urgência, mais relacionada à idade; a de esforço, que está associada aos hábitos diários; e a mista, que apresenta os dois quadros.
Segundo a especialista, há um entendimento de que a incidência da I.U de esforço é predominantemente superior em mulheres esportistas. De acordo com pesquisas, ao praticar uma atividade física de alto impacto e rendimento há um aumento da pressão intra-abdominal e, consequentemente, uma fadiga da musculatura do assoalho pélvico pela constante solicitação da atividade.
"Os estudos começaram a pesquisar o porquê disso e concluíram que há uma relação com a estrutura anatômica do posicionamento do trato urinário feminino, que é mais baixo. Em esportes com saltos ou exercícios de contração abdominal máxima e repetitiva, a força provoca no assoalho pélvico um impacto três a quatro vezes maior que o peso corporal do atleta", afirma, destacando atividades como o Jump praticado nas academias e o atletismo.
De acordo com Débora, o estudo da pesquisadora americana Ingrid Nygaard, na área de Uroginecologia e Cirurgia Pélvica revelou "que avaliada a I.U em relação à atividade esportiva, observou-se a ocorrência em 38% das mulheres que praticavam atletismo, 36% para os exercícios aeróbicos, 21% em caminhadas, 16% no ciclismo e 12% na natação."
Considerando ainda as atividades cotidianas, a fisioterapeuta cita que ficar muito tempo sentada em uma postura incorreta também pode ser prejudicial ao períneo porque este acaba não tendo um estímulo de contração. "Quando a mulher fica muito tempo sentada com a postura errada, vai deixando a musculatura inativa", sustenta.
Vale ressaltar, entretanto, que é importante estar atento aos sintomas e conversar abertamente com o médico sobre o assunto, uma vez que há outros fatores de risco, como idade, obesidade e uso de medicamento, além da frequência e intensidade dessas práticas esportivas.
"A expectativa é que, em um futuro próximo, médicos e fisioterapeutas estejam em uma ligação mais estreita com os atletas para o diagnóstico precoce e prescrição de um programa preventivo e curativo, por meio de tratamentos e terapias de fortalecimento específico do períneo", completa.

