Guia apresenta linguagem inclusiva sobre demência
Publicação da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer propõe mudanças na forma como nos comunicamos sobre o assunto
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de outubro de 2025
Publicação da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer propõe mudanças na forma como nos comunicamos sobre o assunto

Apresentado no encerramento da campanha Setembro Lilás, o Guia de Linguagem Inclusiva em Demência é uma contribuição ao debate sobre linguagem, direitos e inclusão das pessoas que vivem com demência no Brasil. Produzido pela Febraz (Federação Brasileira das Associações de Alzheimer), a publicação digital é a primeira do gênero no país e já pode ser acessada gratuitamente.
“A forma como falamos se reflete na maneira como cuidamos”, afirma Elaine Mateus, presidente da Febraz . “Expressões negativas ou rótulos imprecisos reforçam estigmas, dificultam diagnósticos e impactam diretamente a qualidade de vida das pessoas que vivem com demência e de seus parceiros e parceiras de cuidado.
Um exemplo comum é o uso da expressão “mal de Alzheimer”, ainda presente inclusive em veículos de comunicação. A palavra “mal” carrega um peso negativo e reforça visões fatalistas sobre a doença. Ao optarmos por termos como Doença de Alzheimer ou simplesmente Alzheimer, promovemos uma abordagem mais informativa, respeitosa e menos estigmatizante.”
Convite à responsabilidade coletiva
O guia reúne orientações para profissionais da saúde, educação, comunicação e para toda a sociedade. Analisa termos e expressões comumente usados no campo da demência e propõe alternativas mais respeitosas e centradas na pessoa. Também discute o papel das imagens, metáforas e tons de voz na construção do estigma e na propagação de visões alarmistas ou desumanizantes.
“Estamos diante de uma crise silenciosa de saúde pública que exige novos paradigmas”, afirma a presidente da Febraz. “O guia é um convite à responsabilidade coletiva com a linguagem, para que ela seja uma ferramenta de respeito e não de exclusão.”
Leia mais:
A Febraz representa o Brasil na Alzheimer’s Disease International (ADI) e atua no fortalecimento das associações de Alzheimer, bem como no diálogo com governos para a formulação de políticas públicas voltadas às pessoas com demência e seus familiares.
A publicação pode ser acessada gratuitamente no site da Febraz: https://febraz.org.br/guia-de-linguagem-inclusiva-em-demencia/
Autores
São autores do guia Elaine Mateus, doutora em Linguística Aplicada, pesquisadora e ativista na área das demências, presidente da Febraz e cofundadora do Instituto Não Me Esqueças; Larissa Picinato Mazuchelli, linguista com doutorado em Neurolinguística, pesquisadora nas áreas de linguagem, envelhecimento e preconceito etário; Christina Mattos, jornalista, assessora de comunicação da Febraz e do Instituto Não Me Esqueças, dedicada à produção de conteúdo e campanhas de conscientização; e Leandro Minozzo, médico geriatra, professor universitário e autor de livros sobre longevidade e cuidado em demências.
A revisão foi feita por Daniel Thomas, jornalista e assessor de comunicação da Febraz, com atuação na produção de conteúdos sobre demência com foco em informação acessível e defesa de direitos.
Evite termos reducionistas
Deixe de usar - Envelhecimento normal. Supõe um único jeito certo de envelhecer e que fugir do "padrão" seria anormal
Use - Envelhecimento. Não é preciso adjetivar o envelhecimento; ele é tão somente parte do clico da vida
Deixe de usar - Portador de Alzheimer - sugere que a pessoas carrega a doença como um objetivo, algo externo que transforma a condição em "carga" ou "fardo"
Use - pessoa com Alzheimer - expressões como essa dão ênfase à pessoa e não à doença, valorizando sua dignidade e reconhecendo-a como pessoa com direitos
Evite expressões pejorativas
Deixe de usar - Gagá, caduco, senil, esquecido, teimoso. Estes são exemplos de palavras que desumanizam, tratando a condição como defeito do indivíduo e não como uma doença.
Use - Pessoa com desafios cognitivos e comportamentais. Não associa a pessoa à incapacidade e não atribui julgamentos à pessoa por ter demência.
Deixe de usar - Sem capacidade para... Sugere incapacidade absoluta, desconsiderando habilidades remanescentes.
Use - Com capacidade para... Reconhece que, mesmo com limitações, a pessoa mantém habilidades e capacidades
(Com informações da Assessoria de Comunicação da Febraz)




