Felipe Assan Remondi, farmacêutico:  "Estar em contato com profissionais de saúde, pedir ajuda para que ele simplifique o regime terapêutico e até mesmo discuta outras alternativas é extremamente importante"
Felipe Assan Remondi, farmacêutico: "Estar em contato com profissionais de saúde, pedir ajuda para que ele simplifique o regime terapêutico e até mesmo discuta outras alternativas é extremamente importante" | Foto: Divulgação

Pacientes com níveis elevados de gordura no sangue são mais propensos a desenvolver doenças cardíacas e AVC (acidente vascular cerebral). Para quem tem colesterol e triglicérides, as duas dislipidemias mais frequentes, os cuidados devem ser constantes e o tratamento, muitas vezes, inclui a ingestão de medicamentos. Os remédios são fornecidos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas mesmo assim muitos pacientes não seguem a terapia com rigor.

Um estudo realizado pelo farmacêutico da 17ª Regional de Saúde Felipe Assan Remondi apontou que quatro em cada dez usuários não têm uma adesão adequada ao tratamento das dislipidemias. “O paciente obtém o medicamento, mas quando ele retorna para casa não toma esse remédio da maneira preconizada pelo médico e isso tem um impacto muito direto no controle lipídico”, afirmou.

O estudo “Não adesão ao tratamento e falta de efetividade terapêutica: um prevalente desconhecido” foi apresentado durante a 5ª Mostra Paranaense de Pesquisa em Saúde e premiado com o primeiro lugar no eixo Assistência Farmacêutica no Paraná no 4º Prêmio Inova Saúde Paraná. No trabalho, fruto do projeto de doutorado de Remondi, foram avaliados 5,6 mil pacientes no Estado que receberam o medicamento por meio de um programa público de saúde. “O serviço público aplica o recurso, fornece o medicamento para o paciente de alto risco que deveria ter o controle terapêutico, mas não faz o tratamento e isso acaba impactando depois na saúde dele.”

O estudo, destacou o farmacêutico, revela “um problema muito grande” e o serviço de saúde deve estar atento para o fato de que não basta apenas garantir que o medicamento chegue ao paciente. É fundamental encontrar meios de fazer com que a adesão ao tratamento seja total.

Os motivos que levam os pacientes a não seguirem o programa de tratamento com rigo não foram analisados por Remondi, mas ele afirma que a literatura auxilia na compreensão desses fatores. “Primeiro porque o paciente não tem conhecimento da importância e do papel do medicamento no controle de sua doença. Segundo, é uma doença silenciosa, não tem sintomas, e por último, os efeitos colaterais e a dificuldade do paciente de buscar o medicamento na farmácia. É um conjunto de elementos que acaba influenciando no resultado do tratamento.”

Remondi concluiu que manter a rotina no uso de remédios não é tão simples quanto parece, ainda mais quando o paciente utiliza vários medicamentos ao dia. “Estar em contato com profissionais de saúde, relatar, pedir ajuda para que ele simplifique o regime terapêutico, apoie e até mesmo discuta outras alternativas é extremamente importante. E não é só a medicação, tem que haver uma mudança de comportamento do indivíduo.”

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