Os números de casos de microcefalia no País têm gerado muitas dúvidas, principalmente entre as gestantes. Mas entre tantas incertezas, uma coisa é certa: elas podem e devem usar repelentes, assim como esclarecer todas as questões com seus médicos.
Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta para que os países deem atenção especial às gestantes e às medidas de combate ao Aedes aegypti, vetor da dengue, zika vírus e febre chikungunya.
Sendo assim, a prevenção deve ser uma somatória de medidas. Os cuidados domésticos, como evitar criadouros do mosquito e colocar telas em portas e janelas são recomendados, assim como o uso de repelente nas áreas do corpo expostas e uso de roupas compridas.
O Ministério da Saúde está elaborando um protocolo específico para gestantes e para as crianças com microcefalia, pois já foi reconhecida a ligação entre o vírus que está circulando no País, com o crescente número de casos da doença.
A ginecologista e obstetra em Londrina, Inês Paulucci Sanches comenta que muitas pacientes estão preocupadas, buscando informação no consultório, pelo telefone ou por meio de mensagens. "Elas querem saber se o uso de repelentes pode trazer riscos à saúde e como devem escolher esses produtos", diz.
A recomendação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), de acordo com informações da dermatologista Thaís Ferraz, é de que as gestantes escolham produtos disponíveis e permitidos pela Anvisa.
No rótulo dos repelentes, é preciso ficar atento à presença das substâncias Icaridina, DEET e IR3535. O efeito repelente vai depender da concentração de uma dessas substâncias.
De acordo com a dermatologista, o produto à base de Icaridina na concentração de 20% a 25% é o repelente de maior duração na pele, oferecendo cerca de dez horas de proteção contra os insetos. Os repelentes à base de DEET possuem concentração de até 15%, o que garante uma proteção máxima de seis horas. Existe a versão infantil deste produto, mas não é recomendada, pois tem uma concentração menor (de 6% a 9%) e, consequentemente, uma duração mais curta.
Já os que contém o composto químico IR3535 são mais indicados para crianças de seis meses a dois anos e requer reaplicações a cada duas horas. "A Icaridina seria a primeira escolha para a gestante pelo longo tempo de duração da proteção. O DEET e IR3535 também podem ser usados, mas por apresentarem menor duração da proteção, precisam ser reaplicados ao longo do dia", diz.
O infectologista Jaime Rocha, do Laboratório Frischmann Aisengart, ressalta que o importante é ter certeza de que o produto contém a substância que funciona na concentração correta. "Tem que ler o rótulo do produto porque existem várias marcas conhecidas, mas que podem ter uma concentração muito baixa, ou até mesmo, nem existir na fórmula", acrescenta.
A ginecologista e obstetra salienta, ainda, que as gestantes não devem se automedicar, mas sim buscar orientações com o obstetra. "Devemos ficar em estado de alerta, mas ainda há muitos estudos pela frente, pois é um fato novo para todos nós. A microcefalia é o agravante maior para o bebê intraútero na mãe que contrai o vírus, mas não quer dizer que esses números totais de casos tenham origem somente pelo zika vírus, pois há outras possíveis causas", sustenta.

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