O uso do ácido fólico por gestantes e mulheres que desejam engravidar previne a formação de fetos com anencefalia e espinha bífida. A Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda que as mulheres tomem 400 microgramas (ou 0,4 miligrama) de ácido fólico por pelo menos 30 dias antes de engravidar e nos primeiros três meses de gestação. O presidente da Comissão Especializada em Perinatologia da Febrasgo, Eduardo Borges da Fonseca, explica que apesar da recomendação a maioria das gestantes utiliza a dose errada do medicamento.
"Está nos angustiando muito o fato da maior parte das unidades básicas de saúde do país fornecerem uma dose de 5 mg de ácido fólico para as gestantes", destaca. Ele acrescenta que apesar da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) determinar que o medicamento também esteja disponível em gotas na rede pública de saúde em uma dosagem de 0,2 mg/ml – que seria adequada para uso das gestantes - a maioria das UBS do País oferece apenas o medicamento em forma de drágeas e com a dosagem de 5 mg.
Conforme o médico, esta dosagem - considerada extremamente elevada para gestantes - é indicada para tratamento de anemia e pode ser prejudicial para o feto. "Estudos feitos em ratos demonstram que quando se utiliza a dose dez vezes maior do que a preconizada aumenta-se a prevalência de nascimento de bebês pequenos, provavelmente por uma alteração que reduz o tamanho da placenta", explica o médico. Ele acrescenta, no entanto, que não está provado que as mesmas alterações ocorram na espécie humana. "É necessário que os personagens locais que cuidam da assistência básica de saúde fiquem atentos para esta questão", salienta Fonseca. Atualmente, em muitas cidades brasileiras, a dose adequada de ácido fólico para gestantes só pode ser encontrada nas farmácias.
A utilização do ácido fólico no período pré-gestacional reduz os casos de anencefalia e espinha bífida em torno de 70% a 80%. Nos próximos três meses a Febrasgo vai realizar um levantamento nacional da prevalência do uso do ácido fólico. Uma campanha que incentiva a utilização do medicamento foi lançada pela Febrasgo em agosto de 2012 e todos os anos a entidade relembra a importância do assunto. "Um dos objetivos desta campanha é mostrar que o uso adequado de ácido fólico reduz a incidência de problemas graves no feto. O segundo objetivo é ratificar para as mulheres a importância de planejar a gestação e se preparar de maneira adequada", destaca.
Levantamento realizado pela Febrasgo constatou que apenas 42% das mulheres brasileiras planejam a gravidez, mas nem todas utilizam ácido fólico. O mesmo estudo apontou que das gestantes atendidas pela rede pública de saúde, apenas 3% utilizam ácido fólico. Entre as gestantes da rede suplementar o número chega a 30%.

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