Geração Z pode chegar aos 100 anos
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domingo, 13 de maio de 2012
Andréa Bertoldi <br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''O ideal é morrer jovem o mais tarde possível''. É com esta frase bem humorada do antropólogo inglês Ashley Montagu, que o neurocientista e geneticista italiano, Edoardo Boncinelli, de 70 anos, inicia o livro que lançou recentemente em Curitiba ''Carta a um menino que viverá 100 anos - como a ciência nos fará (quase) imortais''. Professor da Universitá Vita-Salute San Raffaele, em Milão, na Itália, Boncinelli mostra que, com os avanços alcançados, já é possível se falar em um envelhecimento brando e no retardo do processo de degeneração.
Ele defende a tese de que 50% das pessoas da chamada geração Z - nascida na segunda metade da década de 1990 - poderá chegar aos 100 anos. ''A sociedade está mudando e a ciência, a técnica e a medicina deram e continuam a dar passos de gigante, com efeitos antes impensáveis: vivemos mais tempo, envelhecemos melhor e mais lentamente'', afirma.
E vai mais longe, acreditando que a vida pode chegar aos 100 anos para uma boa parte das pessoas que nasceram a partir no início do século passado. Segundo ele, a vida está alongando em um ritmo incrível. ''Nos últimos 40 anos, ganhamos dez anos. Ganhamos um trimestre a cada ano que passa'', destacou. Ele lembrou que em 1.900, a média de tempo de vida era 40 anos. Fazendo uma média, diz, as mulheres devem viver 84 anos e os homens 78.
''O aumento na expectativa de vida é uma revolução silenciosa, mas contínua, que avança todos os dias. No entanto, a proporção de jovens deverá ser menor que a de velhos, gradativamente'', observa o geneticista, que também é autor dos livros ''A ética da vida'', ''O macado inteligente'' e ''Porque não podemos nos declarar darwinistas''.
Edoardo Boncinelli destaca que o Brasil tem apenas quatro a cinco anos a menos na expectativa de vida em relação a países europeus como a Itália e a Alemanha. ''O Brasil é um país muito heterogêneo. Tem gente que se cuida e que come bem, e tem gente que não se cuida e come mal'', disse, acrescentando que o Brasil tem muita diferença no estilo de vida de região para região e de cidade para cidade. ''A mortalidade infantil, por exemplo, ainda é um problema no Brasil, mas menos preocupante que na África, obviamente. A genética tem contribuído para a diminuição da mortalidade infantil'', avalia.
Um dos fatores constatados para maior longevidade estão nos medicamentos contra a pressão alta que, segundo Boncinelli, foram os responsáveis por aumentar a expectativa de vida em 10 anos. Por outro lado, com a maior longevidade, também surgiram novas doenças como o Alzheimer e, com ela, vem se constatando um aumento na incidência de tumores e do câncer.
Estudos comprovam que para doenças como o câncer e os diversos tipos de tumores há muita esperança, porque todos os anos acontecem novas descobertas da medicina e da ciência. ''Em relação ao Alzheimer não sabemos nem ao menos como começar. Nesta doença morrem as células do cérebro e não sabemos porquê'', disse. ''É muito ruim terminar a vida não reconhecendo nem mesmo os próprios familiares. E, depois dos 85 anos, esta doença é muito frequente'', disse.
O médico contou que estudos realizados com animais mostraram que é possível multiplicar a vida quatro, cinco, dez vezes. Mas, para o homem isso ainda não aconteceu. Ele acredita que esta descoberta pode ganhar ''embalo'' em relação ao ser humano daqui uns 20 anos. Também será possível escolher as características físicas dos filhos como a cor dos olhos ou do cabelo, por exemplo.

