A pesquisa da Unifesp traz ainda outras situações com base nas respostas dos adolescentes. Dos 264 estudantes participantes, 90% mencionaram permanecerem conectados a rede e se comunicarem com amigos mesmo estando na presença deles.
De acordo com a docente Denise De Micheli, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp, a mudança nas relações sociais são resultado da cultura de alta tecnologia e as mensagens de texto via celular tornaram-se o modo preferido de comunicação entre as pessoas.
"A frequência das mensagens de texto superou todas as outras formas de comunicação. Trata-se de uma geração íntima das tecnologias e para quem a comunicação física é dispensável", aponta.
Outro ponto é que 61% acreditam ficar menos tímidos e mais seguros ao conversarem via aplicativos de mensagens. A psicanalista Ana Maria Stucchi Vannucchi, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, sustenta que o uso excessivo das mídias tecnológicas, de fato, traz ameaças ao contato humano.
"Na verdade é uma questão que abarca o ser humano como um todo. Toda dificuldade de fazer contato efetivo com o outro fica facilitada pelo uso desses dispositivos. Mas a tecnologia em si não tem culpa nenhuma, pois ela serve a certas necessidades humanas", argumenta.
Ana Maria aproveita para reforçar que a questão do isolamento é uma necessidade maior para o adolescente, pois "a mente de uma criança, que é adequada para lidar com os problemas da infância, não serve mais para lidar com os problemas da adolescência. É uma necessidade de reorganização que é vivida", afirma.
O estudo ainda mostra que uma das vantagens da comunicação virtual, de acordo com as respostas dos adolescentes, é a ideia do controle do tempo e a disponibilidade para escrever e editar o que se pretende comunicar.
"Assim, eles passam a ter maior autocontrole a respeito da forma com que se mostra ao interlocutor, sem os imprevistos e inconvenientes que o contato face a face pode oferecer", conclui Denise. (M.O.)

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