Quem sofre de úlceras ou feridas nas pernas sabe a dor que enfrenta e a dificuldade que tem para levar uma vida com qualidade. As úlceras crônicas venosas podem surgir por diversos fatores, entre eles as doenças venosas, diabetes, mas principalmente o fator genético. Um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em parceria com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) tem ajudado pacientes no tratamento das feridas por meio da aplicação de LED (ou laser), que são emissores de luz capazes de promover a cicatrização e reduzir o processo inflamatório. Por se tratar de um projeto de pesquisa, os casos atendidos são limitados aos pacientes com úlceras venosas e as aplicações podem ser feitas por um período de até seis meses.
De acordo com a coordenadora do projeto, a fisioterapeuta Claudia Siqueira, as úlceras têm uma incidência estimada de 1 a 3 por mil habitantes e entre 60% a 80% dos casos são de origem venosa. Ela explica que a hipertensão venosa provoca edema, vermelhidão e com o tempo as feridas podem começar a surgir. ''Existem alguns locais com maior prevalência de acontecer, por exemplo, nas pernas. Começa com o escurecimento da região, depois a pele vai ficando com aspecto mais denso, mais frágil e, então, a qualquer batida que a pessoa sofra, começa a abrir, ulcerar e por conta da dificuldade de circulação a ferida abre e depois não fecha'', diz.
O projeto ''Terapia com diodos emissores de luz no tratamento de úlceras em indivíduos com insuficiência venosa'' reúne profissionais e acadêmicos de diversas áreas da saúde, inclusive da física. A ideia é avaliar a eficiência do LED no tratamento das úlceras crônicas, levando em conta os parâmetros de cicatrização e redução do processo inflamatório. Além disso, os pesquisadores pretendem avaliar a viabilidade da implementação do recurso no ambiente ambulatorial.
''Esperamos que por meio da técnica seja possível comprovar que houve uma redução da dor e melhora na taxa de cicatrização das lesões com a diminuição do tempo de tratamento e custos econômicos'', afirma o membro do projeto Ivan Frederico Lupiano Dias, doutor em física.
Sem dor
A úlcera costuma ser dolorosa e a dor se manifesta nos casos onde há infecção associada ou em pacientes hipertensos sem o controle adequado da pressão arterial. Especialistas afirmam que é preciso um tratamento completo que envolva, além da luz, a não permanência por muitas horas em pé ou sentado durante o dia. Além disso, é recomendável evitar o uso de sapatos altos, o sobrepeso ou a obesidade e os exercícios com pesos.
A doutora em patologia e ciências da saúde Solange de Paula Ramos lembra que a luz emitida pelo LED é capaz de aumentar a energia no local, estimulando a proliferação das células e a cicatrização do tecido. Também possibilita aumentar a quantidade de vasos sanguíneos na região suprindo o déficit de circulação existente. ''A aplicação do LED diminui o quadro inflamatório no local. Sabemos também que a luz tem uma série de vantagens biológicas que podem auxiliar na cicatrização da ferida'', afirma.
O fisioterapeuta Roberto Kiyoshi Kashimoto, que faz as aplicações nos pacientes durante os atendimentos no Cismepar, explica que o tratamento independe do tamanho do ferimento e que a maioria dos pacientes não sente nada no momento da aplicação da luz. ''Algumas pessoas sentem um pouco de dormência na região da perna apenas. Aplicamos em cinco pontos da ferida ou fazemos algumas adaptações dependendo do tamanho e do tipo da úlcera. A aplicação é rápida, em torno de três minutos'', diz.
Serviço
Pacientes com úlceras venosas que necessitarem de tratamento devem procurar primeiramente a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência para encaminhamento para o tratamento especializado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) a ser realizado no Cismepar.

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