Fim de ano pede equilíbrio mental
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Michelle Aligleri<br> Reportagem Local 
Fim de ano tem um apelo característico, uma decoração específica e comidas típicas que nos fazem entrar em um clima diferente. Parece que a felicidade é obrigatória nesta época e quem não for contagiado pelo clima de virada de ano fica se sentindo diferente da maioria. O problema é que para muitas pessoas esta época não é motivo de comemoração, além disso, é geralmente no último dias do ano que as pessoas fazem uma avaliação do que aconteceu ao longo dele, relembrando as realizações, mas também os fracassos.
De acordo com o psicólogo do Hospital Nossa Senhora das Graças de Curitiba, José Pacolski, dezembro acaba sendo o pior mês para algumas pessoas, pois a época é propícia em despertar uma mistura de sentimentos, devido a expectativa criada por cada um. "Os sentimentos variam desde a maior euforia em poder encontrar com pessoas amadas à melancolia de muitas vezes não ter com quem passar o dia de Ano Novo, por exemplo", explica.
A psicóloga especialista em neuropsicologia, Daniela Perini Rigoti, explica que no fim do ano aumenta a procura pelos consultórios de psicologia justamente porque as pessoas passam a fazer um balanço da vida. "Como muitas pessoas têm alteração na rotina e reduzem ou param o trabalho, acaba sobrando tempo para pensar no que aconteceu durante o ano que está se encerrando. Neste ponto começa a surgir um processo de culpa por situações que ficaram mal resolvidas", explica.
O fato desse período do ano ser caracterizado pelas reuniões familiares também aumenta a incidência destes sentimentos. "Lembrar de pessoas que morreram durante o ano e não estarão nas festas é muito difícil, além disso, esta é uma época em que os conflitos familiares vêm à tona, porque as pessoas se veem obrigadas a encontrar os desafetos", comenta.
A psicóloga acrescenta que tentar resolver todos os problemas que ficaram pendentes antes do ano acabar pode ser sacrificante, mas ela defende que é realmente bom colocar as situações a limpo. O ideal, de acordo com Daniela, é que os problemas não sejam empurrados para o fim do ano, eles devem ser resolvidos o quanto antes.
Estas situações difíceis podem ser responsáveis pelo aumento do nível de estresse, que ganha proporção por conta do excesso de festas, confraternizações e compromissos. "Sentir a obrigação de participar de todas as reuniões de forma a não frustrar ninguém é complicado, pois demanda um nível de energia psíquica que não estamos acostumados a despender durante todo o ano", comenta Pacolski. O excesso de felicidade ilustrada em enfeites e músicas nos faz acreditar que nesta época do ano os problemas não existem, apesar disso, a realidade é outra.
Para Daniela, o ideal é que a gente faça um balanço da vida com mais frequência, porque, diante de situações desagradáveis, a tendência da maioria das pessoas é se esquivar e quando o problema vai ser enfrentado, ele geralmente está maior. "É importante que façamos planos a médio e longo prazo, mas não podemos deixar de fazer um balanço diário para identificar se estamos caminhando na direção da meta estipulada", orienta.
Para prevenir esta sensação ruim que acompanha o final do ano, Daniela salienta que as metas estabelecidas no início do ano devem ter condições mínimas de serem alcançadas.
Mais importante do que fazer planos realistas para o ano que se inicia é desenvolver a capacidade de ser resiliente e lidar de maneira tranquila quando as coisas não acontecem da maneira planejada. "A verdade é que cada vez mais as pessoas estão menos preparadas para conviver com as frustrações, o imediatismo está muito evidente e a maioria quer alcançar projetos de um dia para o outro", conclui.

