Fim de ano tem um apelo característico, uma decoração específica e comidas típicas que nos fazem entrar em um clima diferente. Parece que a felicidade é obrigatória nesta época e quem não for contagiado pelo clima de virada de ano fica se sentindo diferente da maioria. O problema é que para muitas pessoas esta época não é motivo de comemoração, além disso, é geralmente no último dias do ano que as pessoas fazem uma avaliação do que aconteceu ao longo dele, relembrando as realizações, mas também os fracassos.
De acordo com o psicólogo do Hospital Nossa Senhora das Graças de Curitiba, José Pacolski, dezembro acaba sendo o pior mês para algumas pessoas, pois a época é propícia em despertar uma mistura de sentimentos, devido a expectativa criada por cada um. "Os sentimentos variam desde a maior euforia em poder encontrar com pessoas amadas à melancolia de muitas vezes não ter com quem passar o dia de Ano Novo, por exemplo", explica.
A psicóloga especialista em neuropsicologia, Daniela Perini Rigoti, explica que no fim do ano aumenta a procura pelos consultórios de psicologia justamente porque as pessoas passam a fazer um balanço da vida. "Como muitas pessoas têm alteração na rotina e reduzem ou param o trabalho, acaba sobrando tempo para pensar no que aconteceu durante o ano que está se encerrando. Neste ponto começa a surgir um processo de culpa por situações que ficaram mal resolvidas", explica.
O fato desse período do ano ser caracterizado pelas reuniões familiares também aumenta a incidência destes sentimentos. "Lembrar de pessoas que morreram durante o ano e não estarão nas festas é muito difícil, além disso, esta é uma época em que os conflitos familiares vêm à tona, porque as pessoas se veem obrigadas a encontrar os desafetos", comenta.
A psicóloga acrescenta que tentar resolver todos os problemas que ficaram pendentes antes do ano acabar pode ser sacrificante, mas ela defende que é realmente bom colocar as situações a limpo. O ideal, de acordo com Daniela, é que os problemas não sejam empurrados para o fim do ano, eles devem ser resolvidos o quanto antes.

Balanço frequente


Estas situações difíceis podem ser responsáveis pelo aumento do nível de estresse, que ganha proporção por conta do excesso de festas, confraternizações e compromissos. "Sentir a obrigação de participar de todas as reuniões de forma a não frustrar ninguém é complicado, pois demanda um nível de energia psíquica que não estamos acostumados a despender durante todo o ano", comenta Pacolski. O excesso de felicidade ilustrada em enfeites e músicas nos faz acreditar que nesta época do ano os problemas não existem, apesar disso, a realidade é outra.
Para Daniela, o ideal é que a gente faça um balanço da vida com mais frequência, porque, diante de situações desagradáveis, a tendência da maioria das pessoas é se esquivar e quando o problema vai ser enfrentado, ele geralmente está maior. "É importante que façamos planos a médio e longo prazo, mas não podemos deixar de fazer um balanço diário para identificar se estamos caminhando na direção da meta estipulada", orienta.

Planos realistas


Para prevenir esta sensação ruim que acompanha o final do ano, Daniela salienta que as metas estabelecidas no início do ano devem ter condições mínimas de serem alcançadas.
Mais importante do que fazer planos realistas para o ano que se inicia é desenvolver a capacidade de ser resiliente e lidar de maneira tranquila quando as coisas não acontecem da maneira planejada. "A verdade é que cada vez mais as pessoas estão menos preparadas para conviver com as frustrações, o imediatismo está muito evidente e a maioria quer alcançar projetos de um dia para o outro", conclui.

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