'Falta uma avaliação psicológica pormenorizada'
Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), até o fim deste ano o total de cirurgias bariátricas (conhecidas como redução de estômago) deve chegar a 88 mil procedimentos, montante 10% superior ao realizado em 2013. Estudos apontam que 20% dos pacientes do ano passado voltaram a ganhar peso após o procedimento, seja pela dilatação do estômago operado ou o retorno da compulsão alimentar (ansiedade).
Com uma experiência de quase 20 anos, o cirurgião bariátrico Caetano Marchesini afirma que o reganho de peso acontece em grande parte pelo aumento da autoconfiança associada aos maus hábitos alimentares, falta de atividade física e pela compulsão alimentar mal tratada. Isso significa que o fator psicológico também tem muita influência.
A psiquiatra Giuliana Cividanes ressalta a importância de se investir nas avaliações. Ela cita que, em alguns casos, o médico-cirurgião solicita apenas uma sessão com a psicóloga para a elaboração do laudo.
"Uma sessão não faz diagnóstico de nada. Muitas pessoas são obesas porque já têm uma disfunção psiquiátrica de base, mas atribuem a depressão, a tristeza e a infelicidade, apenas ao peso. Falta uma avaliação pormenorizada. Ver o indivíduo como um todo e não uma pessoa com mais ou menos peso", acrescenta.
A psicóloga Paula Cordeiro, do Instituto de Psicoterapia e Análise do Comportamento (Psicc), em Londrina, explica que a psicologia ajuda o indivíduo a entender o papel da comida em sua vida. "A partir disso, conseguimos trabalhar esse sintoma e a alimentação vai mudando naturalmente. Além disso, trabalhamos a questão da autoestima e a aceitação dos limites de cada um", diz.
De acordo com ela, os brasileiros têm uma cultura em que a comida está muito presente. "Nosso trabalho é trazer o indivíduo para uma realidade, entender qual é o contexto em que ele vive, pois não dá para tirar todo o valor da comida. Temos que achar um equilíbrio", completa. (M.O.)




